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Prova de aferição do 2º ciclo – os textos

Publicado por bibliobeiriz em Maio 5, 2010

Da prova de Língua Portuguesa do 6º ano, disponível no GAVE 

TEXTO A

«Promontório de Sagres. […]
Ao fundo, sozinho, voltado para o mar, vestido de escuro […], o Infante [D. Henrique]. Está sentado numa pedra, ligeiramente curvado para a frente, com o queixo apoiado na mão direita e o cotovelo direito apoiado no joelho direito […].
No primeiro plano […] falam e movem-se as outras personagens. […] Entra uma mulher com uma criança (que é um rapazinho de sete anos).

CRIANÇA (apontando com o dedo o Infante) – Mãe, o Infante, o que é que ele está ali a fazer, sozinho, a olhar para o mar?
MULHER – Está a ver.
CRIANÇA – Mas não se vê nada. É só mar.
MULHER – Ele vê melhor do que nós.
CRIANÇA – Ah? Eu pensava que ele não via. No outro dia encontrei-o no caminho e disse: “Bom dia, meu Senhor”. Mas ele não me viu.
MULHER – Ele vê bem o que está longe.

(Enquanto acabam de falar entra um velho com barbas compridas e brancas.)

VELHO – Era melhor que visse o que está perto. […] Do mar não vem nem glória nem proveito.

(Entra um rapaz de vinte anos que ouve a última frase.)

RAPAZ – Tens a certeza, Velho?
VELHO – Todos os anos ele manda para o Sul as suas barcas. E diz aos capitães: “Ide mais longe.” Mas já ninguém pode ir mais longe.
RAPAZ – Tens a certeza, Velho?
VELHO – […] Nunca ninguém passou além do cabo Bojador.
CRIANÇA – Onde é o Bojador?
VELHO (sentando-se numa pedra e apontando vagamente para o mar) – Além, ao Sul, na costa de África, no mar.
CRIANÇA – E não se pode ir além do Bojador?
VELHO – Não.
CRIANÇA – Porquê?
VELHO – Porque é ali que acaba o Mundo. Do outro lado do Cabo, o calor é tanto que as águas fervem e se transformam em lama. É ali que começa o mar Tenebroso. O ar está cheio de nevoeiros negros. Não se vê a luz do Sol. E ondas de lodo estão cheias de grandes monstros marinhos.
RAPAZ – Isso são lendas inventadas pelo medo dos Mouros.
VELHO – Mas também nos livros antigos de Ptolomeu e nos livros dos Romanos está escrito que ninguém pode passar além do Bojador.
RAPAZ – Isso dizem os Antigos. Temos que ir nós próprios saber o que é verdade.
VELHO – Mas, que diz a experiência dos mareantes das Espanhas? Que dizem todos os navegadores? […] Dizem […] que barco que ali chegue logo será devorado pelos abismos do mar.
RAPAZ – Velho, e eu digo-te isto: Gil Eanes, com a sua barca, passará além do Bojador.
MULHER – Então por que recuaram eles, no ano passado?
VELHO – Porque havia a bordo homens de experiência e juízo que não quiseram avançar para a morte certa.
RAPAZ – Porque pararam primeiro nas Canárias e gente dessa ilha lhes contou velhas histórias fantásticas e mentirosas.
MULHER – Dizem que o Infante repreendeu muito Gil Eanes?
RAPAZ – O Infante repreendeu-o por ele ter recuado em frente de umas lendas boas para assustar crianças.
CRIANÇA – E que fez Gil Eanes?
RAPAZ – Este ano partiu outra vez.
MULHER – E dizem que à partida jurou que só voltaria a Portugal quando tivesse dobrado o Cabo.
VELHO – E por causa dessa promessa ele nunca voltará a Portugal. Há já muito tempo que partiram. Com certeza Gil Eanes já cumpriu a sua palavra. A esta hora já ele dobrou o Cabo. E já as ondas de lodo engoliram a sua barca e já as serpentes verdes do Tenebroso o comeram, a ele e aos seus homens. Fez-se a vontade do Infante. Mas Gil Eanes nunca voltará a Portugal.   (O velho levanta-se e dá um passo em frente.)
Nunca ninguém voltou do Bojador.

CRIANÇA (puxando a saia da mãe e apontando o mar, com o braço estendido) – Mãe, mãe, olha, além no mar, toda branca, uma barca. Vem uma barca no mar.
RAPAZ (dá uns passos em frente e olha o mar) – É Gil Eanes. Voltou.
(Cai o pano.)

Sophia de Mello Breyner Andresen, O Bojador, Lisboa:  Editorial Caminho, 2000
(texto com supressões)

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TEXTO B

«COM CORES LUSAS DARÁ A VOLTA AO MUNDO
Apoiada pela Marinha, a regata Portugal Ocean Race levará sete meses a cruzar oceanos. A sua «madrinha» é a fadista Mafalda Arnauth.

O objectivo é ambicioso, mas, ao mesmo tempo, concretizável. Trata-se de criar, em 2011, a regata mais popular de todas, a nível mundial, dispondo para tal de um orçamento reduzido. Promovido pelo velejador Ricardo Diniz – associado a Brian Hancock, que já participou em três regatas à volta do mundo –, este projecto é apoiado pela Marinha Portuguesa e recorrerá a veleiros de 12 metros (os Class 40), fabricados com tecnologias acessíveis (utilizando fibra de vidro). «Serão, por isso, fáceis de construir nos estaleiros2 portugueses», admite Ricardo Diniz.
A regata – cujo percurso será Portugal , África do Sul, Nova Zelândia, Brasil,
Portugal – contará com um mínimo de 20 veleiros. Esta prova será disputada em três categorias: velejador solitário, dois velejadores e tripulação de equipa.
A logística3, a segurança, as reparações e as comunicações serão apoiadas pela organização. O evento terá cobertura4 dos media. »

                                                                     Expresso, 3 de Outubro de 2009 (texto adaptado)

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Prova de aferição do 1º ciclo- os textos

Publicado por bibliobeiriz em Maio 5, 2010

Da prova de Língua Portuguesa do 4º ano,  disponível no GAVE :

TEXTO A

«No momento em que o Homem chegou à Lua, a Lua estava a dormir profundamente, depois de ter passado várias noites agitada por estranhos pesadelos.
Quando acordava, não conseguia recordar-se deles, mas sentia o desconforto que os sonhos maus costumam deixar-nos no corpo, na memória e até à flor da pele.
Quando o Homem pisou o seu solo áspero e poeirento, a Lua sentiu que qualquer coisa rara e importante estava a acontecer, pois, desde sempre, o Homem pousara nela os seus olhos curiosos e brilhantes sem descobrir a maneira de chegar tão longe e tão alto, talvez para a beijar ou para a abraçar.
Durante milhares de anos, houvera entre ambos uma espécie de longo namoro à distância, sem troca de cartas nem de promessas de amor eterno. O Homem, porém, nunca deixou de lhe dedicar belos poemas, para que a Lua jamais pudesse imaginar que caíra no seu esquecimento.
Por sua vez, mesmo nas noites mais escuras e enevoadas, a Lua procurou sempre enviar-lhe as suas centelhas de luz, como se quisesse dizer-lhe:
– Sabes onde estou e sabes também que podes contar comigo.
O Homem nunca teve dúvidas a esse respeito, mas, como uma viagem até à Lua não passava de um sonho praticamente impossível de realizar, ele preferia vê-la como se fosse um cavaleiro errante, observando à distância uma princesa encantada na torre mais alta de um castelo inatingível. Sonhavam um com o outro, de noite e de dia, mas nunca ousavam dar o passo seguinte, já resignados com a sorte que o destino lhes reservara.
Por isso, quando o Homem pôs pela primeira vez os pés no solo lunar, a Lua
sentiu-se, ao mesmo tempo, alegre e triste. Alegre, por ver que o seu namorado de sempre ganhara finalmente coragem para a visitar; triste, por não ter sido avisada com tempo suficiente, para se embelezar e poder recebê-lo.
E o que tinha para lhe mostrar? A solidão das suas crateras, o deserto das suas planícies e a luz pálida das suas vigílias nocturnas. Nada mais. Mas ela queria estar bela e sedutora no momento desse encontro tantas vezes imaginado.
A Lua, como qualquer mulher que cuida da sua imagem, sempre soubera que a distância favorece o jogo do enamoramento, pois mantém pouco visíveis as rugas, as madeixas desalinhadas e outras pequenas e grandes imperfeições que, vistas de perto, costumam agigantar-se de repente.
Por seu lado, o Homem, na estranha crueza do seu fato espacial, lamentava não poder mostrar o rosto à sua eterna namorada nem ter o atrevimento de a tentar abraçar. A falta de oxigénio, caso retirasse o equipamento de cosmonauta, seria, pela certa, o seu fim. E ele, já que ali chegara, não estava disposto a morrer, nem mesmo caído nos braços da Lua.»

José Jorge Letria, Quando o Homem Beijou a Lua,
Alfragide: Oficina do Livro, 2009 (texto com supressões)

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TEXTO B

«A FORÇA DA GRAVIDADE
A força da gravidade puxa todos os objectos na vertical, para baixo, em direcção ao centro da Terra. Podes perguntar: e então a Lua não está sujeita à força da gravidade? Sim, claro que está. Mas então porque é que a Lua não cai sobre a Terra?
Para descobrires porque é que a Lua não cai, vais fazer uma experiência bastante engraçada. Vais fazer girar um copo com feijões, sem que os feijões caiam!
Para isso, tens de abrir dois buracos na boca de um copo de plástico e passar por eles um fio, de modo a fazeres uma asa (como se fosse um pequeno balde). Deita uma mão cheia de feijões no copo e, agarrando pela asa, põe o copo a girar. Os feijões caem durante o movimento?
Da mesma maneira que os feijões não caem quando pões o copo a girar, também a Lua não cai. Tal como o copo, a Lua não está parada: ela gira em volta da Terra, demorando 27 dias (ou melhor, 27 dias, 7 horas e 43 minutos) a dar uma volta completa.
Sabes a que velocidade a Lua se move em torno da Terra? Move-se a quase 4000 km por hora! »

Constança Providência, Nuno Crato, Manuel Paiva, Carlos Fiolhais,
Ciência a Brincar 4: Descobre o Céu! , Lisboa, Editorial Bizâncio,
2005 (texto adaptado)

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Provas de Aferição de Língua Portuguesa – 2010

Publicado por bibliobeiriz em Maio 5, 2010

Já disponíveis no GAVE ,  juntamente com os respectivos critérios e grelhas de classificação.

  • 1º Ciclo -Língua Portuguesa  Prova de  2010 (pdf)
  • 2º Ciclo -Língua Portuguesa -Prova de  2010  (pdf)

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A biblioteca da tartaruga- prova de aferição do 4º ano

Publicado por bibliobeiriz em Maio 19, 2009

Tal como a prova de aferição do 6º ano, também a do  ano aborda questões relacionadas com os livros e a leitura. Sinal dos tempos e do grande investimento que o ME tem vindo a fazer nesta área através da RBE e do Plano Nacional de Leitura?  Tudo nos leva a crer que simprovafericao4an0 e ainda bem que estes temas estão a ser de modo explícito introduzidos na avaliação.

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Qual é o teu livro preferido? -prova de aferição do 6º ano

Publicado por bibliobeiriz em Maio 18, 2009

Foi esse o tema da composição da Prova de aferição de Língua Portuguesa do 6º  ano.
Claro que, dadas as nossas funções, gostámos muito do assunto escolhido. Talvez tivéssemos formulado a pergunta de outra forma, pois segundo consta alguns alunos perderam tempo na escolha dO livro favorito (pelos vistos têm mais do que um, como nós, aliás). Mas as questões orientadoras facilitam a redacção, assim como as sugestões para se tornar o texto mais interessante: no fundo trata-se de uma simples “ficha de leitura”.

composicao-provaafericao-6ano

Na prova de LP do 4º  ano, os alunos também tiveram que mostrar as suas competências de biblioteca.

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