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“A leitura exige aprendizagem”

Posted by bibliobeiriz em Fevereiro 11, 2007

Ler n’ O Primeiro de Janeiro, entrevista a Isabel Alçada sobre o Plano Nacional de Leitura  >

« (…) Muitas vezes não percebemos que as actividades intelectuais precisam de tanto treino como as actividades desportivas. Se houver um treino, uma intensificação dos momentos em que as crianças estão com os livros, acreditamos – e sabemos, devido à experiência nos outros países e no nosso também, porque já há muitos professores que o fazem – que elas vão descobrir livros que lhes dão prazer, e nessa altura vão sozinhas procurar ler e essa leitura autónoma é muito importante. (…)»

2 Respostas to ““A leitura exige aprendizagem””

  1. bibliobeiriz said

    Texto completo:
    «Isabel Alçada, comissária do Plano Nacional de Leitura, em entrevista ao JANEIRO
    “A leitura exige aprendizagem”

    Elevar os níveis de literacia e promover a leitura junto dos mais novos envolvendo professores, pais e a sociedade civil é a principal linha programática do Plana Nacional de Leitura, cuja comissária é Isabel Alçada. Em entrevista ao JANEIRO, a responsável fala dos programas, das medidas e principalmente das expectativas deste plano.
    Isabel Damião (Texto)/Pedro Tavares (Fotos)

    O principal objectivo do Plano Nacional de Leitura (PNL) é elevar os níveis de literacia dos portugueses e colocar o País a par dos restantes países europeus. Quais as medidas ou programas colocados em campo para atingir este pressuposto? Sendo que a leitura deve ser um acto voluntário.
    É um acto voluntário, mas tem de ser treinado desde muito cedo, para se tornar verdadeiramente uma escolha livre. Se as crianças não tiverem a sorte, na primeira infância e durante toda a infância, de ter contactos com livros e se não tiverem adultos que os ajudem a criar o gosto pela leitura e a deslizar pelas páginas dos livros, dos jornais, das revistas, e agora até pelas páginas disponíveis on-line, se não houver esse estímulo e esse acompanhamento cedo na vida, é muito mais difícil que se tornem verdadeiros leitores. O que nós verificamos é que nos países onde há indicadores de literacia e de hábitos de leitura elevados tem havido, ao longo de décadas, programas de promoção da leitura. Repare, a leitura para um adulto que é um leitor competente parece um acto natural e espontâneo, mas não é. É um acto que exige uma aprendizagem, um acompanhamento até que a pessoa fique plenamente livre de ler e escolher o que pretende ler. E nesse sentido, o governo lançou o Plano Nacional de Leitura, uma iniciativa de três ministérios destinada a conceber programas que mobilizem os profissionais e também a sociedade civil para este esforço colectivo que é criar maior desejo de ler entre os mais novos, entre os jovens, entre os adultos e até entre os mais velhos.

    Sendo uma iniciativa do governo, da responsabilidade do Ministério da Educação, em articulação com o Ministério da Cultura e o Gabinete do Ministro dos Assuntos Parlamentares, qual é o seu papel como comissária deste plano?
    Em primeiro lugar, o plano é um projecto que foi equacionado por uma equipa, equipa essa que eu coordenei. Portanto, há um conjunto de programas que vêm descritos nesse plano, que são programas que se vão realizar nos jardins-de-infância, nas escolas [em todos os níveis do sistema educativo], nas bibliotecas públicas e também, sempre que assim entenderem, as associações da sociedade civil, sejam associações de pais, associações culturais, etc. Para isso, é evidente que no sistema educativo e nas bibliotecas públicas, como temos profissionais dedicados à promoção da leitura e ao ensino da leitura, podemos desenhar programas específicos para cada público-alvo. E foi isso que foi feito. Ou seja, nós temos, para o jardim-de-infância um programa que se chama «Está na Hora dos Livros», que consiste numa tentativa de que em todos os jardins-de-infância, todos os dias, haja leitura de livros para os meninos acompanharem, ouvirem, lerem, compreenderem, conversarem com o educador e amarem os livros. No 1.º ciclo, do 1.º ao 4.º ano de escolaridade, temos o programa «Está na Hora da Leitura» e todas as crianças também lêem na sala de aula com os seus professores livros adequados ao nível de desenvolvimento de leitura em que se encontram. No 2.º ciclo, 5.º e 6.º ano, pedimos também que haja um tempo semanal para a leitura de livros e para a promoção pelo gosto de ler. A partir do 3.º ciclo o Plano ainda não está a abranger todo o sistema como está para os ciclos que acabei de referir, porque considerámos que numa primeira fase devemos abranger um público-alvo privilegiado que são os mais novos. Isto porque, os estudos demonstram que os hábitos e a competência de leitura ou se adquirem cedo na vida ou é muito mais difícil a partir da adolescência superar dificuldades que não foram devidamente equacionadas mais cedo. Muitas vezes não percebemos que as actividades intelectuais precisam de tanto treino como as actividades desportivas. Se houver um treino, uma intensificação dos momentos em que as crianças estão com os livros, acreditamos – e sabemos, devido à experiência nos outros países e no nosso também, porque já há muitos professores que o fazem – que elas vão descobrir livros que lhes dão prazer, e nessa altura vão sozinhas procurar ler e essa leitura autónoma é muito importante.

    Como é feita a ponte entre os responsáveis pelo Plano Nacional de Leitura e os restantes agentes envolvidos? Sei que têm um site.
    Temos um site onde divulgamos os nossos programas, onde incluímos muitas orientações para o trabalho na sala de aula, onde fizemos uma apresentação de um aconselhamento de obras adequadas por cada nível de dificuldade dentro de cada ano de escolaridade. Portanto, há um conjunto de apoio técnico que é dado, por um lado, pelo site; e por outro lado, também, há uma equipa do Ministério da Educação que está a trabalhar para fazer formação de professores na área do português, que é coordenado por uma outra responsável, a professora Inês Simsim, e que vai trabalhar no terreno numa fórmula de abranger progressivamente o maior número de professores. Por outro lado, temos também acções nas bibliotecas públicas que oferecem, num programa que se chama «Itinerâncias Culturais», formação para professores, educadores e interessados, nomeadamente mediadores de leitura, pessoas que organizam leitura em várias modalidades. Ainda temos uma outra linha programática que são acções dirigidas aos pais, porque se é certo que é muito importante que se faça leitura na escola e nas bibliotecas que são as instituições especificamente destinadas a promover a leitura, também é muito bom e muito importante que as famílias se envolvam e compreendam como é útil ler com os pequeninos, para que haja um convívio favorável à volta do livro. Nesse sentido, temos organizado algumas acções com associações de pais. Fizemos o protocolo com a CONFAP e temos feito acções com especialistas dirigidas a grupos de pais que querem dinamizar a leitura com os filhos.

    E como têm corrido essas acções com os pais? Os pais têm reagido positivamente? Têm-se envolvido?
    Posso dizer que em termos qualitativos têm corrido maravilhosamente. O problema é que precisávamos de fazer muito mais. Temos de conseguir arranjar uma maneira de alargar essa acção de forma que se multiplique. Nós não entendemos que o Plano Nacional de Leitura seja uma coisa que deva ser centralizada por uma instituição. Este Plano tem de ser uma rede de acções, onde nós seremos mediadores de contacto, promotores de algumas acções. Mas, a prazo, a acção da Comissão do Plano tem de ser como mediadora e não como promotora. Portanto, estamos com esperança que haja muito mais iniciativas da parte das associações de pais, que elas próprias se mobilizem para procurar especialistas e pessoas que ajudem a equacionar esta questão da leitura familiar, sendo que nós podemos dar alguma informação, apoio, efectuar contactos, etc., etc. Mas não só as associações de pais, como todas as associações que promovem a leitura seja de que forma for. Achamos que não deve haver uma única orientação, todas as orientações que promovam a leitura são bem vindas.

    Quem gere o Plano Nacional de Leitura em termos financeiros e técnicos?
    Somos nós. A gestão é feita pela Comissão que tem associada a rede das bibliotecas escolares, que é um pilar importantíssimo do desenvolvimento do Plano Nacional de Leitura, porque a gestão dos recursos de leitura tem de ser feita em bibliotecas, de forma que eles fiquem disponíveis para todos os alunos que frequentam as escolas. O outro pilar são as bibliotecas públicas. Entretanto, além das iniciativas que temos nas escolas de que já falei, temos outras, mais lúdicas, digamos assim, que são os concursos. Os concursos de leitura têm sido dirigidos aos níveis de escolaridade que não são do nosso público-alvo privilegiado. Ou seja, o público-alvo privilegiado tem os programas específicos para as escolas e salas de aula, mas a partir do 3.º ciclo incentivamos os leitores, as escolas, os professores e os bibliotecários a participarem em concursos de leitura. Temos um concurso, coordenado pelo professor Fernando Pinto do Amaral, que se chama Concurso Nacional de Leitura, cujo regulamento está no nosso site. A primeira fase vai ser nas escolas do 3.º ciclo e secundárias, na segunda fase é em bibliotecas municipais e a terceira é com a colaboração da RTP, com quem temos um protocolo para divulgação do Plano. Temos um outro concurso que decorre até ao próximo dia 15, que comemora o centenário do nascimento de António Gedeão/Rómulo de Carvalho, em que é pedido aos concorrentes que façam sites sobre o poeta/cientista/professor. Esse concurso é feito em associação com a comissão da comemoração do centenário e com a Fundação Calouste Gulbenkian. E ainda temos outro concurso em associação com a PT que se chama PT-Escolas Ler+, que também está a decorrer e que pode ser consultado no nosso site.
    Em relação ao orçamento, prestamos apoio às escolas para que possam gradualmente adquirir obras para fazerem a leitura orientada na sala de aula e para incentivarem a leitura autónoma. De modo a que tenham exemplares suficientes para quando a leitura for orientada pelo professor haja, pelo menos, um livro para cada dois alunos na turma em que ele está a ser usado. Para o efeito, em Outubro financiámos, no valor de um milhão e meio de euros, algumas centenas de escolas, e agora, através de um protocolo com a Fundação Calouste Gulbenkian, que nos dá um financiamento anual de 150 mil euros, vamos financiar outro conjunto de escolas. Temos também protocolos com algumas câmaras [Porto, Portimão, Loulé, entre muitas outras, já temos mais de 110 câmaras interessadas em negociar este projecto] que vão também colaborar no financiamento das escolas, dos seus próprios concelhos.

    Qual tem sido o impacto que o plano tem provocado, principalmente junto da população estudantil e docente?
    Em relação aos docentes tem sido muito favorável. No início do ano pedimos que as escolas se inscrevessem no Plano, e tivemos uma adesão em massa, com o objectivo de nos informarem sobre o que tencionavam fazer no que respeita à leitura e também para se candidatarem ao financiamento para poderem adquirir os livros que escolhessem. Achamos que devem ser as escolas a escolher os livros, perante as listas de aconselhamento que facultamos.

    Quando são esperados os primeiros resultados das medidas implantadas por este plano?
    Temos uma série de estudos que foram lançados concomitantemente com os programas que também vêm no nosso site. Uns destinam-se a criar instrumentos para avaliação, e temos uma equipa do ISCTE coordenada pelo professor António Firmino da Costa, que observa, no terreno, a forma como o Plano está a ser executado. Portanto, anualmente, vai haver um relatório sobre a forma como o Plano está a ser levado a efeito, se os programas estão de facto a ser postos na prática ou não; se as escolas e os restantes participantes (escolas, bibliotecas, sociedade civil) estão a aderir à iniciativa; e se há de facto efeitos nos hábitos de leitura dos portugueses e nos níveis de literacia, muito embora esta dimensão tenha de ser avaliada num prazo um pouco mais alargado, do que um ano. Esta avaliação vai decorrer ao longo de cinco anos e nós esperamos nessa altura já ter algum impacto do trabalho do Plano Nacional de Leitura tanto nos hábitos de leitura do público-alvo, como dos níveis de literacia. Em todo o caso, devo dizer, que não podemos ter uma expectativa imediatista. É muito importante que no nosso país lancemos programas que têm a ver com o futuro das próximas gerações, que não pensemos apenas em nós mesmos, nos nossos filhos ou nos nossos netos. Temos de lançar programas e investir hoje para que os nossos bisnetos tenham uma sociedade mais culta, mais aberta ao desenvolvimento, mas para isso é preciso preparar o futuro desde já.»

  2. alessandra said

    este material vai me ajudar muito com a monografia

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