BiblioBeiriz

Serviços de Biblioteca – Agrupamento de Escolas Campo Aberto – Escola E.B. 2/3 de Beiriz

Dia Internacional do Livro Infantil

Posted by Manuela DLRamos em Abril 2, 2007

O Dia Internacional do Livro Infantil  -que se comemora a 2 de Abril, data do nascimento do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen > – é uma iniciativa do iBbY > (International Board on Books for Young People) realizada anualmente desde 1967. O patrocinador de 2007 é a Secção Nacional do IBBY da Nova Zelândia > .

O tema deste ano é “Stories Ring the World“.  O poster que o ilustra é da autoria de Zak Waipara > e acompanha-o uma mensagem da autoria de Margaret Mahy > *

MENSAGEM DO DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL – 2007
ver algumas mensagens dos anos anteriores aqui 

poster«”Nunca me hei-de esquecer de como aprendi a ler. Quando era menina, as palavras escapuliam-se diante dos meus olhos como pequenos escaravelhos negros cheios de pressa. Mas eu era mais inteligente do que elas. Aprendi a reconhecê-las apesar de tentarem escapar-me velozmente. Até que, por fim, consegui abrir os livros e entender o que lá estava escrito. Sozinha, tornei-me capaz de ler contos, histórias engraçadas e poemas.
No entanto tive surpresas. A leitura deu-me poder sobre os contos e de alguma forma também deu aos contos um certo poder sobre mim. Nunca lhes pude escapar. Isso faz parte do mistério da leitura.
Uma pessoa abre um livro, acolhe e compreende as palavras e, se a história for boa, ela explode dentro de nós. Aqueles escaravelhos que correm em linha recta de um lado para o outro da página em branco convertem-se primeiro em palavras e, logo a seguir, em imagens e acontecimentos mágicos. Ainda que certas histórias pareçam nada ter que ver com a vida real, ainda que nos conduzam a surpresas de toda a espécie e se distendam em múltiplas possibilidades, para um lado e para o outro, como pastilhas elásticas, no final as histórias que são boas devolvem-nos a nós mesmos. São feitas de palavras, e todos os seres humanos sonham ter aventuras com as palavras.
Quase todos começamos como ouvintes. Ainda bebés, as nossas mães e os nossos pais brincam connosco, dizem-nos rimas, tocam-nos as mãos (“Pico pico maçarico quem te deu tamanho bico…”) ou põem-nos a bater palmas (“Palminhas, palminhas…”). Os jogos com palavras são ditos em voz alta e, quando somos crianças, escutamo-los e rimos com eles. Logo a seguir aprendemos a ler os caracteres impressos na página branca e, mesmo quando lemos em silêncio, há uma certa voz que está presente. A quem pertence esta voz? Pode ser a tua própria voz, a voz do leitor. Mas é mais do que isso. É a voz da história que vem do interior do próprio leitor.
É claro que há hoje muitas maneiras de contar uma história. Os filmes e a televisão têm histórias para contar, embora não usem a linguagem da maneira como o fazem os livros. Os escritores que trabalham em guiões de televisão ou de cinema são obrigados a utilizar poucas palavras. “Deixem as imagens contar a história”, dizem os especialistas. Muitas vezes vemos televisão na companhia de outras pessoas, mas quando lemos quase sempre estamos sós.
Vivemos numa época em que o mundo está cheio de livros. Mergulhar nos livros à procura de alguma coisa, lendo-os e relendo-os, faz parte da viagem de cada leitor. A aventura do leitor consiste em descobrir, nessa selva de caracteres impressos, uma história tão vibrante que o transforme como que por magia. Uma história tão apaixonante e misteriosa que mude a sua vida. Creio que cada leitor vive para esse momento em que de súbito o mundo de todos os dias se altera um pouco, abre espaço a uma nova piada, a uma ideia nova, àquela nova possibilidade que é dada a uma determinada verdade de se exprimir pelo poder das palavras. “Sim, isto é mesmo verdade!”, exclama aquela voz dentro de nós. “Estou a reconhecer-te!”

“A leitura é verdadeiramente apaixonante, não acham?”»

(Versão portuguesa de José António Gomes)

«* MARGARET MAHY nasceu em Whakatane, Nova Zelândia, em 1936. Bibliotecária, decidiu dedicar-se a tempo inteiro à escrita em 1980. Escreveu obras dirigidas a diferentes idades, cultivando géneros que vão do álbum para crianças pequenas ao romance juvenil, passando pela poesia e pelo texto dramático. (…).»

  • Fontes da mensagem: em html (CM de Arouca);  em pdf  (no IPLB)
  • Notícia nos media >
  • Entrada no site da Ed. Caminho >
  • Página da Secção espanhola do IbBY >
  • Ver as nossas comemorações em 2005– ano do centenário de  Hans C. Andersen.
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