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A moda do “copy/paste” ou a “questão do plágio e do copianço”

Posted by bibliobeiriz em Abril 9, 2007

Vale a pena ler para reflectir -aliás vem mesmo a propósito pois no próximo dia 23 comemora-se para além do Dia Mundial do Livro, o Dia do Direito de Autor.

 Como a Wikipedia entrou na sala de aula por Jacqueline Hicks Graz
(no Publico- Digital > sem acesso livre; no Washington Post > free of charge)

«Mais uma manhã de segunda-feira, e leio o meu e-mail para ver os trabalhos que os meus alunos de liceu acabaram durante o fim-de-semana. (…)
O meu aluno  (…) estava a dizer-me que tinha usado a Wikipedia para o ajudar a responder a uma das perguntas do trabalho. O que não era claro era como a tinha usado.
Que parte da resposta dependia da Wikipedia? Tinha ele copiado algo ipsis verbis? Teria ele sido apanhado no que o comediante Stephen Colbert descreve como a “Wikialidade” – um mundo online feito de uma colecção de meias-verdades aceites por toda a gente?
No mundo online em que professores e alunos navegam, este tipo de ambiguidades é quotidiano. Para jovens que cresceram com um acesso instantâneo à informação, isto não tem nada de especial. Mas, para educadores treinados a identificar com precisão as fontes, decidir quais os limites do uso da Internet é com frequência problemático.(…)
Uns cliques no computador e o estudante contemporâneo encontra dados que poderiam ter levado à minha geração (dos anos 80) dias ou mesmo semanas a encontrar numa biblioteca. Isso pode não ser necessariamente bom, porque podemos estar a desenvolver o mesmo tipo de dependência que leva algumas pessoas a culpar as máquinas de calcular pelo declínio nas competências matemáticas.
Estaremos a criar uma geração de garotos que não conseguem formular um plano de pesquisa nem analisar dados? Um estudante disse-me: “É muito difícil para mim ler um livro ou um artigo de jornal comprido.”
Também há a questão do plágio e do copianço. O Centro de Integridade Académica da Universidade Duke fez um estudo com 12 mil estudantes universitários e 18 mil alunos de liceu; quase 40 por cento dos universitários e metade dos alunos de liceu disseram ter copiado a partir de fontes online. Isso incluía práticas como não citar fontes, comprar exames ou trabalhos online, e fazer corta e cola de informação da Internet.(…)
Tomar partido da habilidade natural dos míúdos com a aprendizagem online exige novas capacidades aos professores. A maioria das escolas não avalia professores sobre o seu uso inovador de tecnologia online. Muitos podem não ver com bons olhos o papel de “vigilantes” da ética da Internet. Será preciso mudar a forma como formamos professores.
Serão os professores capazes de acompanhar a geração iPod? A única resposta honesta é que ainda não sabemos. Só podemos ter certeza de que os alunos estão a usar recursos online. Já não podemos ignorar a sala de aulas que faz download. »

Anterior sobre este tema: «O que é plagiar?» (Notícia no JN ).

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2 Respostas to “A moda do “copy/paste” ou a “questão do plágio e do copianço””

  1. «Como a Wikipedia entrou na sala de aula
    Jacqueline Hicks Grazette/Washington Post

    Mais uma manhã de segunda-feira, e leio o meu e-mail para ver os trabalhos que os meus alunos de liceu acabaram durante o fim-de-semana. Estou encantada por ver que a maioria parece muito boa, mas ao ler um deles reparo numa resposta que termina com uma nota de rodapé – coisa que eu nunca tinha visto num trabalho dos meus alunos.
    A nota de rodapé remeteu-me para a Wikipedia, a enciclopédia online em que qualquer um pode escrever artigos ou incluir informação. O meu aluno de liceu estava a dizer-me que tinha usado a Wikipedia para o ajudar a responder a uma das perguntas do trabalho. O que não era claro era como a tinha usado.
    Que parte da resposta dependia da Wikipedia? Tinha ele copiado algo ipsis verbis? Teria ele sido apanhado no que o comediante Stephen Colbert descreve como a “Wikialidade” – um mundo online feito de uma colecção de meias-verdades aceites por toda a gente?
    No mundo online em que professores e alunos navegam, este tipo de ambiguidades é quotidiano. Para jovens que cresceram com um acesso instantâneo à informação, isto não tem nada de especial. Mas, para educadores treinados a identificar com precisão as fontes, decidir quais os limites do uso da Internet é com frequência problemático.
    O uso da Wikipedia tornou-se um assunto candente em liceus e universidades. O departamento de história da Universidade de Middlebury declarou que a Wikipedia “não é uma fonte adequada para citar”, embora possa ser útil para apontar outras fontes de informação aos estudantes.
    Mas a Wikipedia não é a única fonte online dos alunos, e as preocupações dos professores são mais abrangentes. O Google fez com que até estudantes de mestrado tenham tendência a recorrer ao online antes de recorrer às suas próprias cabeças.
    Tive um estagiário de mestrado que gastou horas à procura de um número de telefone no Google – um número que estava disponível na lista telefónica local. Isso diz-me que os motores de busca online podem estar a prejudicar a capacidade de iniciativa dos estudantes.
    Uns cliques no computador e o estudante contemporâneo encontra dados que poderiam ter levado à minha geração (dos anos 80) dias ou mesmo semanas a encontrar numa biblioteca. Isso pode não ser necessariamente bom, porque podemos estar a desenvolver o mesmo tipo de dependência que leva algumas pessoas a culpar as máquinas de calcular pelo declínio nas competências matemáticas.
    Estaremos a criar uma geração de garotos que não conseguem formular um plano de pesquisa nem analisar dados? Um estudante disse-me: “É muito difícil para mim ler um livro ou um artigo de jornal comprido.”
    Também há a questão do plágio e do copianço. O Centro de Integridade Académica da Universidade Duke fez um estudo com 12 mil estudantes universitários e 18 mil alunos de liceu; quase 40 por cento dos universitários e metade dos alunos de liceu disseram ter copiado a partir de fontes online. Isso incluía práticas como não citar fontes, comprar exames ou trabalhos online, e fazer corta e cola de informação da Internet.
    Ao entrevistar alunos de liceus públicos e privados na zona de Washington, descobri que muitos sabiam de colegas que copiavam da Internet; embora não o apoiassem, a maioria disse que não o denunciariam. “Somos parte de uma sociedade em rede”, disse-me um estudante. “O vosso mundo é diferente do nosso. Ensinaram-nos a partilhar informação e colaborar. Estamos sempre a fazer isso. Ninguém se interessa em saber de onde [a informação] veio.”
    Poderemos esperar que os nossos estudantes se portem de forma diferente dos adultos à sua volta? A Universidade de Princeton acha que sim. Um site da universidade chamado Academic Integration at Princeton reconhece a mudança de paradigma: “Muita da ética da Internet, que emergiu da cultura informática do trabalho colaborativo (…) entra em choque com os valores e práticas do ensino tradicional.”
    No entanto, Princeton deixa claro que não podem ser os estudantes a decidir o que é “conhecimento comum”, e quer que eles obedeçam à notação tradicional de propriedade intelectual, sob pena de graves consequências académicas. O seu modelo de ética online declara que fontes electrónicas devem ser tratadas com o mesmo respeito que materiais impressos. E fornece um protocolo para citar fontes electrónicas, advertindo sobre a qualidade de algumas fontes online.
    O meu estudante com o rodapé duvidoso gosta desse tipo de orientação directa. Afinal, mesmo com a ajuda online, o seu trabalho estava mau. Resultados destes podem ser o melhor antídoto para a dependência online de um estudante.
    Enquanto falávamos sobre a sua resposta, ele confessou ter usado a Wikipedia porque sentia que não conseguiria compreender ou acabar toda a bibliografia recomendada, e estava desesperado por encontrar respostas. E disse-me que pais e professores muitas vezes respondem às perguntas de estudantes dizendo-lhes “vai ver na Internet”.
    Tomar partido da habilidade natural dos míúdos com a aprendizagem online exige novas capacidades aos professores. A maioria das escolas não avalia professores sobre o seu uso inovador de tecnologia online. Muitos podem não ver com bons olhos o papel de “vigilantes” da ética da Internet. Será preciso mudar a forma como formamos professores.
    Serão os professores capazes de acompanhar a geração iPod? A única resposta honesta é que ainda não sabemos. Só podemos ter certeza de que os alunos estão a usar recursos online. Já não podemos ignorar a sala de aulas que faz download.

    Exclusivo PÚBLICO/Washington Post »

    Artigo original de acesso livre ) Wikiality in My Classroom
    http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2007/03/23/AR2007032301614.html

  2. É interessante esta opinião e esta preocupação. E é engraçado ver a Wikipédia pelo meio, quando o problema do plágio, na escola, é algo muito anterior à Internet. Aliás: a Wikipédia, e qualquer projecto que envolva os alunos na criação e manutenção de artigos na Wikipédia, respeitando os princípios do projecto, é um excelente meio de ensinar aos alunos o que é isso de propriedade intelectual. Mas isso dá trabalho. É mais fáci usar a Wikipédia como bode expiatório para a preguiça dos estudantes de hoje, esquecendo, contudo, que há estudantes, nada preguiçosos, que se empenham na construção daquela que, para todos os efeitos, se está a tornar uma das fontes de consulta mais usadas no mundo. A “Wikiverdade” é um termo pejorativo usado por quem não entende para que serve a Wikipédia: ela tem muitas meias verdades, aceites por todos??? Claro que sim. Ao contrário de outras fontes “respeitáveis” que têm meias verdades apenas aceites por meia dúzia… Na Wikipédia, como em qualquer meio, devemos ler de forma crítica: saber como aquilo foi escrito – verificar se existem referências bibliográficas que confirmem o que lá está escrito… A Wikipédia não é para preguiçosos – antes pelo contrário. O que é necessário, primeiro, é informar sobre o que é, de facto, a Wikipédia.

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