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Correntes D’Escritas na Escola- Manuel Rui

Posted by bibliobeiriz em Fevereiro 12, 2008

Manuel Rui- poeta, ficcionista e ensaísta-nasceu em Huambo (ex-Nova Lisboa) em 1941 e nessa cidade fez os seus estudos primários e secundários.
Em Portugal, licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Antes de regressar a Angola depois do 25 de Abril de 1974, exerceu a advocacia e colaborou na revista “Vértice”. Na sua terra natal ocupou diversos cargos políticos para além de ter sido professor universitário e Reitor da Universidade de Huambo.

Tem várias obras publicadas e traduzidas para diversas línguas, nomeadamente a novela Quem me dera ser onda (1982) que foi adaptada para teatro e televisão e vai na 9ª edição.
Outros títulos: A Onda, poesia (1973); Cinco Vezes Onze Poemas em Novembro (1985); Ombela , poesia (2007); O Regresso Adiado > (1977) Memória de Mar (1980);  Sim, Camarada! (1985); Crónica de um Mujimbo (1989); 1 Morto & Os Vivos (1993);  RioSeco (1997); Da Palma da Mão: estórias infantis para adultos (1998); Saxofone e metáfora: estórias (2001) Um anel na areia: história de amor (2002); Nos brilhos: kamanga (2002); Universo transverso: picto-grafias (2003); Conchas e Búzios (2003); Estórias de Conversa (2006); A Casa do Rio (2007).

Apontadores.

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2 Respostas to “Correntes D’Escritas na Escola- Manuel Rui”

  1. Filipa said

    Olá Boa Tarde,

    Começo por vos felicitar pelo vosso blog, felizmente há cada vez actividades nas Escolas, Jardins-de-infância, Bibliotecas Escolares, etc., e cada vez mais participação de Bibliotecários, Professores, Educadores e Pais. Precisamos sempre de mais educação, cultura e informação, e os blogs são um bom meio para isso.

    Aproveito para vos convidar a espreitar o blog http://www.mestrefilipe.blogspot.com e conhecerem o nosso trabalho. E claro se acharem interessante a colocar um link na vossa página.

    Ate sempre.

  2. Para juntar aos dados biográficos do escritor um artigo algo polémico da autoria de Helena Matos.
    Quando publiquei esta resenha biobibliográfica sobre o autor não tive tempo de investigar mais. E agora, à posteriori, ainda bem. Caso contrário não teria sido capaz de preparar, do modo como o fizemos, o acolhimento ao escritor.(Manuela D.L.Ramos)

    «26.02.2008, Helena Matos,Jornalista

    Os intelectuais que estiveram “metidos em tudo”, em Angola, no pós-27 de Maio de 1977

    Ninguém lhe disse nada? Ou fez de conta que não sabia? Esta pergunta impôs-se-me ao longo da leitura do artigo que o Sol dedicou ao escritor angolano Manuel Rui a propósito da sua participação nas Correntes d”Escritas, um encontro de escritores que tem lugar na Póvoa de Varzim. O artigo em questão tem os rodriguinhos e as complacências habituais nas entrevistas às pessoas identificadas com o mundo da cultura. (…).

    Mas para lá desta incapacidade de tratar a cultura duma forma que não seja propaganda – incapacidade essa que está longe de ser exclusiva do Sol – outra questão muito mais séria é colocada por este texto. Manuel Rui, além de romancista e poeta, foi também dirigente político. Mais precisamente fez parte do Governo de Angola num dos seus períodos mais sanguinários, tendo mesmo integrado a denominada Comissão das Lágrimas, órgão que presidiu a algumas das purgas dentro do MPLA e que, a par doutras odiosas funções, designava, entre aqueles que lhe passavam pelas mãos, quem seria entregue aos torturadores. O próprio Manuel Rui de alguma forma alude a esse tempo quando declarou à jornalista do Sol: “Os intelectuais eram poucos e tínhamos de estar metidos em tudo.” De facto, intelectuais como ele, como Pepetela e Luandino estiveram “metidos em tudo”, sendo que “tudo”, em Angola, no pós-27 de Maio de 1977, é algo que dificilmente se consegue descrever. Mas que se pode entrever lendo obras como Purga em Angola, de Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus, Holocausto em Angola, de Américo Cardoso Botelho, ou Repensar Angola, de Carlos Pacheco. Mas nada disto sabia ou queria saber a jornalista do Sol, empenhada que estava em fazer o retrato típico do escritor dos PALOP para consumo do mundo branco a expiar culpas coloniais. Retrato esse que tem os tópicos obrigatórios do passado antifascista em Coimbra, mais a poesia “comprometida que não renega” e, a rematar, umas teorizações sobre o que Manuel Rui designa como “literatura fora dos lugares-comuns da Europa” que a sociedade angolana gerará e umas graçolas sobre a liamba, que em “Angola era chá ou medicamento”. Felizmente que a entrevista acabou aqui, pois ainda acabaríamos com o n guelelu – uma espécie de garrote usado em Angola, nos interrogatórios aos detidos nos tempos em que “os intelectuais estavam metidos em tudo” – transformado, qual batuque, numa peça étnica de decoração.

    Recordo que recentemente o país se interrogou com a razão de ser do desfile de ditadores que a cimeira UE-África trouxe a Lisboa. Aquilo tinha de facto algo de grotesco. Mas não só a cimeira era necessária como as cimeiras estão longe de passar certificados de bom comportamento aos dirigentes que nelas participam. Ora nada disto acontece com os encontros culturais cujos participantes têm inevitavelmente a condição de pessoas não só interessantíssimas como exemplares. Pessoalmente, não veria com agrado que se erradicasse a figura de Manuel Rui dos encontros literários da Póvoa de Varzim ou de quaisquer outros. Mas isso não quer dizer que se tenha de tornar mediaticamente apresentável a sua biografia e implica simultaneamente reconhecer o direito aos outros a não terem de o ouvir. Pois convirá não esquecer que alguns dos escritores que vêm a encontros como as Correntes d”Escritas visitam também as escolas da região, onde é suposto que troquem impressões com os alunos. Como é óbvio, espero que se reserve aos pais o direito de recusarem deixar os seus filhos participar nessas sessões.

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