BiblioBeiriz

Serviços de Biblioteca – Agrupamento de Escolas Campo Aberto – Escola E.B. 2/3 de Beiriz

Dando as boas-vindas

Posted by Manuela DLRamos em Março 15, 2010

«Vinte meninas, não mais,
Eu via ali no beiral:
Tinham cabecinha preta
E branquinho o avental.

Vinte meninas, não mais,
Eu via naquele muro:
Tinham cabecinha preta,
Vestidinho azul-escuro.

Vinte meninas, não mais,
No alto da ramaria:
Tinham cabecinha preta,
Peúga de fantasia.

baladadasvintemeninasVinte meninas, não mais,
Na torre acima de tudo:
Tinham cabecinha preta
E capinha de veludo.

As minhas vinte meninas,
Capinhas dizendo adeus,
Chegaram na Primavera
E acenaram lá dos céus. (…)»

Ler poema completo aqui e aqui 

Balada das vinte meninas / Matilde Rosa Araújo. il. Cristina Malaquias – Lisboa : Platano, 1977. – (Caracol ; 9)

Matilde Rosa Araújo, “Balada das vinte meninas friorentas”  in O livro da Tila  ( Lisboa : Editorial Os Nossos Filhos, 1957.)
————————————-
Vitorino – “Balada das vinte meninas” do disco “Cantigas de ida e volta” (LP 1975)

————————————-

Foram apenas 10, as andorinhas que vi, faz hoje justamente uma semana, numa tarde particularmente fria. Pousadinhas nos fios eléctricos (foto), e em voo rasante sobre o lameiro alagado, pareciam acabadinhas de chegar. Imaginei-as friorentas, como no poema e desejei-lhes as boas-vindas, do fundo do coração. Não anunciam elas a Primavera?

———————————–

atualização. agosto 2013

Uma resposta to “Dando as boas-vindas”

  1. Anónimo said

     Balada das Vinte Meninas Friorentas

    Vinte meninas, não mais,
    Eu via ali no beiral:
    Tinham cabecinha preta
    E branquinho o avental.

    Vinte meninas, não mais,
    Eu via naquele muro:
    Tinham cabecinha preta,
    Vestidinho azul escuro.

    As minhas vinte meninas,
    Capinhas dizendo adeus,
    Chegaram na Primavera
    E acenaram lá dos céus.

    As minhas vinte meninas
    Dormiam quentes num ninho
    Feito de amor e de terra,
    Feito de lama e carinho.

    As minhas vinte meninas
    Para o almoço e o jantar
    Tinham coisas pequeninas,
    Que apanhavam pelo ar.

    Já passou a Primavera
    Suas horas pequeninas:
    E houve um milagre nos ninhos.
    Pois foram mães, as meninas!

    Eram ovos redondinhos
    Que apetecia beijar:
    Ovos que continham vidas
    E asinhas para voar.

    Já não são vinte meninas
    Que a luz do Sol acalenta.
    São muitas mais! muitas mais!
    Não são vinte, são oitenta!

    Depois oitenta meninas
    Eu via ali no beiral:
    Tinham cabecinha preta
    E branquinho o avental.

    Mas as oitenta meninas,
    Capinhas dizendo adeus,
    Em certo dia de Outono
    Perderam-se pelos céus.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s