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A Menina do Capuchinho Vermelho no século XXI – Luísa Ducla Soares & Helena Simas

Posted by Manuela DLRamos em Janeiro 25, 2012

«A Menina do Capuchinho Vermelho estava farta de viver num tempo antigo, num livro antigo. Apanhou um dia o João, muito entretido a ler a sua história, e disse-lhe:
– Ajuda-me a saltar para o século XXI.
– Boa ideia! – exclamou o rapaz. Vem daí.
A garota pousou os pés no chão da sala, olhando à sua volta, espantada.
– Repara, está um elefante junto da tua janela.
Ele riu-se.
– Impossível! Eu moro no décimo andar. Aqui só chegam os pássaros.
A menina apontou para a televisão.
Mexendo no comando, o amigo mudou de canal e logo apareceu, por trás do vidro, o fundo do mar.
– Afinal tens uma caixa mágica – concluiu ela, preparando-se para ficar toda a tarde a ver filmes.
Mas o João tinha combinado ir visitar a avozinha.
– Veste o anorak azul – recomendou a mãe. — E leva uns bolinhos à avó Maria. (…) » 

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CURIOSIDADE: Sabiam que este conto surgiu a partir de uma conversa pela internet  (sessão de chat) promovida pela Associação de Professores de Português  (APP) entre a escritora Luísa Ducla Soares e alguns alunos?  Quem diria ?!

Nessa sessão a escritora «propôs um início de história que incluía personagens já conhecidas dos alunos. No fim, enviou a todos, por correio electrónico, a história que tinha escrito»  Fonte APP # na tua escola (2004).

Em 2006, a história ganhou novo fôlego com as coloridas ilustrações de Helena Simas e, em 2007, a editora Civilização publicou o livro que hoje apresentamos e que podes ler e requisitar na nossa Biblioteca.

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Saltando agora para o mundo real e para ficar a saber mais sobre os lobos de agora, visita

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4 Respostas to “A Menina do Capuchinho Vermelho no século XXI – Luísa Ducla Soares & Helena Simas”

  1. Manuela DL Ramos said

    «A menina do capuchinho vermelho no século xxi

    A Menina do Capuchinho Vermelho estava farta de viver num tempo antigo, num livro antigo.
    Apanhou um dia o João, muito entretido a ler a sua história, e disse-lhe:
    – Ajuda-me a saltar para o século XXI.
    – Boa ideia! – exclamou o rapaz. Vem daí.
    A garota pousou os pés no chão da sala, olhando à sua volta, espantada.
    – Repara, está um elefante junto da tua janela.
    Ele riu-se.
    – Impossível! Eu moro no décimo andar. Aqui só chegam os pássaros.
    A menina apontou para a televisão.
    Mexendo no comando, o amigo mudou de canal e logo apareceu, por trás do vidro, o fundo do mar.
    – Afinal tens uma caixa mágica – concluiu ela, preparando-se para ficar toda a tarde a ver filmes.
    Mas o João tinha combinado ir visitar a avozinha.
    – Veste o anorak azul – recomendou a mãe. — E leva uns bolinhos à avó Maria.
    O rapaz vestiu o anorak, deu a mão à menina e saíram juntos.
    – Esqueceste-te dos bolinhos que a tua mãe fez…
    Como resposta, o garoto entrou com ela no supermercado.
    – Aqui é que eu compro os bolos. A minha mãe passa o dia a trabalhar numa fábrica, não tem tempo para fazer gulodices.
    A rapariga ficou admirada com aquela loja gigantesca. Esfregou os olhos pois parecia que estava num sonho. Para mostrar que era crescida e ajuizada, aconselhou:
    – Não vamos pela floresta, que aí podemos encontrar o lobo mau…
    João desta vez não se riu. A floresta à volta da cidade ardera no verão. Tinham-lhe deitado fogo para construírem mais prédios.
    – E eu que gosto tanto de florestas…— choramingou a Capuchinho Vermelho. – nem posso pensar no mundo sem o verde das árvores, o perfume das flores, os bicharocos selvagens…
    Iam a atravessar a rua quando… zás! surgiu um carro a grande velocidade.
    As crianças fugiram para o passeio mas o veículo ainda embateu no saco de bolos do supermercado. Ficaram feitos numa papa.
    – Cuidado! – gritou um polícia. Tomem atenção aos sinais. Querem morrer atropelados?
    A menina nunca tinha visto um automóvel mas, depois daquela experiência, concluiu:
    – Estou a ver que os carros ainda são mais perigosos que os lobos.
    Cuidadosamente foram andando até casa da avozinha, que morava numa pequena vivenda com jardim.
    – Truz, truz, truz! – bateu a menina.
    – Trim, trim, trim! – tocou o rapaz à campainha.
    A Dona Maria, espreitando pelo vídeo de porta, respondeu logo:
    – Entra, meu netinho. Trazes uma amiguinha? Lembra mesmo a menina do Capuchinho Vermelho.
    – E sou – exclamou ela. – Como hoje já não vou visitar a minha avó, fica para si o pão de ló que guardo no cestinho, feito com ovos das nossas galinhas.
    A senhora ficou deliciada.
    – Que maravilha! Hás-de me dar a receita.
    Foi à dispensa buscar laranjadas e lancharam os três.
    A certa altura, o telefone tocou. A avó foi atender. Quando pousou o telemóvel, até os olhos lhe sorriam.
    – Como o lobo da velha história não veio visitar-nos, podemos ir nós visitar os lobos.
    A menina do Capuchinho Vermelho assustou-se. O rapaz do anorak azul entusiasmou-se.
    – Leva-nos ao jardim zoológico, avó?
    – Não. No jardim zoológico, os lobos, coitados, estão presos numas jaulas. Até metem dó.
    – Então? – perguntou o neto.
    – Falou-me o Sr. Costa, que trabalha na reserva do Lobo Ibérico, para os lados da Malveira. Ofereceu-se para nos levar de boleia até lá, de jeep.
    A garota desatou a tremer.
    – Ai, os lobos devoram as meninas e as avozinhas… tenho medo. Vou voltar para a minha história.
    – Que rapariga tão medricas! Há uma rede a separar-nos dos animais – disse a Dona Maria.
    Lá foram os quatro. Passaram terras queimadas, povoações, chegando finalmente a uma casinha de madeira numa clareira.
    – Já estou no meu ambiente! – exclamou a menina.
    – Agora, – avisou o Sr. Costa – nada de barulho para não espantarmos os bichos.
    – Vai caçá-los?—perguntou a garota, habituada aos caçadores que matavam os lobos no seu tempo.
    – Não. É a hora da refeição deles.
    – Que horror! – Eles têm horas certas para atacar os rebanhos? – afligiu-se a Capuchinho.
    Os empregados do parque começaram então a dar de comer aos lobos, atirando pedaços de carne por cima da vedação.
    – Parecem cães polícias! São lindos! Gostava de ter aquele com um olho azul, outro castanho.
    O Sr. Costa disse então que podiam ser padrinhos de um lobo. Ajudavam-no a sobreviver e podiam visitá-lo sempre que quisessem.
    – Eu quero ser madrinha de um bebé, do mais pequenino – murmurou a garota, já reconciliada com os seus antigos inimigos.
    Foram até à casa de madeira. Cada um preencheu um papel. Depois receberam as fotografias dos seus afilhados.
    A avó tirou dinheiro da carteira e entregou-o à senhora que estava ao balcão.
    – É uma prenda para os nossos irmãos lobos, tão perseguidos ao longo dos séculos. O mundo também é deles!

    Quando voltaram para casa, o menino do anorak azul perguntou à menina do capuchinho vermelho:
    – Afinal peço à minha mãe para dormires no sofá-cama ou voltas para a tua história?

    “Digam-me lá vocês o que acham que ela resolveu?” »

    (fonte: http://comunidade.sol.pt/blogs/anatarouca/archive/2007/04/18/A-reden_E700E300_o-do-lobo.aspx )

    Aqui podes ouvir (e ver) esta versão da história.

  2. Manuela DL Ramos said

  3. Manuela DL Ramos said

    Recolha de textos sobre o tema da preservação do lobo para ir lendo:
    —————————————————————-
    Uivos de Mudança – O Lobo Ibérico e o Cão de Gado http://www.ideiasambientais.com.pt/lobos.html
    —————————————————————-
    «Vida está cada vez melhor para lobos
    Nacional | 2008-08-12 11:35
    Imagine-se que afinal o lobo não é o mau da fita pintado nas histórias infantis, mas a vítima, ao longo de gerações, de um grupo de três porquinhos delinquentes e de um Capuchinho Vermelho à procura de mediatismo.
    Na Internet dos tempos modernos, circulam versões invertidas e adaptadas à delinquência juvenil e aos “reality-shows” das fábulas que utilizam o lobo para exorcizar os males humanos.
    (ver http://historiaseoutrosescritos.blogspot.com/2007/04/verdadeira-histria-do-lobo-mau.html)

    Vinte anos passados da lei que protege este animal ainda serão em número superior os que continuam a contar as mesmas fábulas, mas oficialmente já se reconhece uma “mudança de atitude” para com esta espécie.

    O Nordeste Transmontano é exemplo disso e um dos últimos redutos do lobo em Portugal, segundo o biólogo do Parque Natural de Montesinho (PNM), Luís Miguel Moreira.» continuar a ler

    http://www.acorianooriental.pt/noticias/view/174057/
    ————————————————-

  4. Manuela DL Ramos said

    Histórias
    O livro da Selva
    http://grupo206.netvisao.pt/livro_selva.html

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