BiblioBeiriz

Serviços de Biblioteca – Agrupamento de Escolas Campo Aberto – Escola E.B. 2/3 de Beiriz

A maior flor do mundo

Posted by Manuela DLRamos em Junho 21, 2012

Curta-metragem de animação de Juan Pablo Etcheverry baseada no livro A Maior Flor do Mundo, de José Saramago (ilustrado por João Caetano, vencedor da 6ª edição do Prémio Nacional de Ilustração em 2001)

Uma resposta to “A maior flor do mundo”

  1. Manuela DL Ramos said

    «(…) Logo na primeira página, sai o menino pelos fundos do quintal, e, de árvore em árvore, como um pintassilgo, desce o rio e depois por ele abaixo, naquela vagarosa brincadeira que o tempo alto e profundo da infância a todos nós permitiu…
    Em certa altura, chegou ao limite das terras até onde se aventurara sozinho. (…) Dali para diante, para o nosso menino, será só uma pergunta: «Vou ou não vou?» E foi.
    O rio fazia um desvio grande, afastava-se, e de rio ele estava já um pouco farto, tanto que o via desde que nascera. Resolveu cortar a direito pelos campos, entre extensos olivais, (…) e outras vezes metendo pelos bosques de altos freixos onde havia clareiras macias sem rasto de gente ou bicho, e ao redor um silêncio que zumbia, e também um calor vegetal, um cheiro de caule fresco sangrado de fresco como uma veia branca e verde.
    Ó que feliz ia o menino! Andou, andou, foram rareando as árvores, e agora havia uma charneca rasa, de mato ralo e seco, e no meio dela uma inclinada colina redonda como uma tigela voltada.
    Deu-se o menino ao trabalho de subir a encosta, e quando chegou lá acima, que viu ele? (…) Era só uma flor.
    Mas tão caída, tão murcha, que o menino se achegou, de cansado. E como este menino era especial de história, achou que tinha de salvar a flor. Mas que é da água? Ali, no alto, nem pinga. Cá por baixo, só no rio, e esse que longe estava!…
    Não importa.
    Desce o menino a montanha,
    Atravessa o mundo todo,
    Chega ao grande rio Nilo,
    No côncavo das mãos recolhe
    Quanta de água lá cabia,
    Volta o mundo atravessar,
    Pelo vertente se arrasta,
    Três gotas que lá chegaram,
    Bebeu-as a flor sedenta.
    Vinte vezes cá e lá…
    Cem mil viagens à Lua,
    O sangue nos pés descalços,
    Mas a flor aprumada
    Já dava cheiro no ar,
    E como se fosse um carvalho
    Deitava sombra no chão.

    O menino adormeceu debaixo da flor. Passaram as horas, e os pais, como é costume nestes casos, começaram a afligir-se muito. Saiu toda a família e mais vizinhos à busca do menino perdido. E não o acharam.
    Correram tudo, já em lágrimas tantas, e era quase sol-pôr quando levantaram os olhos e viram ao longe uma flor enorme que ninguém se lembrava que estivesse ali.
    Foram todos de carreira, subiram a colina e deram com o menino adormecido. Sobre ele, resguardando-o do fresco da tarde, estava uma grande pétala perfumada, com todas as cores do arco-íris. (…)
    Este menino foi levado para casa, rodeado de todo o respeito, como obra de milagre
    Quando depois passava pelas ruas, as pessoas diziam que ele saíra da aldeia para ir fazer uma coisa que era muito maior do que o seu tamanho e do que todos os tamanhos. E essa é a moral da história. »

    http://cdn.gave.min-edu.pt/files/451/PF1_Port61_2012.pdf

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s