BiblioBeiriz

Serviços de Biblioteca – Agrupamento de Escolas Campo Aberto – Escola E.B. 2/3 de Beiriz

“Estava a Bela Infanta”

Posted by Manuela DLRamos em Janeiro 11, 2015

Estava a bela infanta
No seu jardim assentada,
Com o pente de ouro fino
Seus cabelos penteava.
Deitou os olhos ao mar
Viu vir uma grande armada;
Capitão que nela vinha,
Muito bem a governava.

– “Dizei-me, vós capitão
Dessa tão formosa armada
Se vistes o meu marido
Na terra que Deus pisava.”

– “Anda tanto cavaleiro
Naquela terra sagrada …
Mas dizei-me vós, senhora
Os sinais que ele levava.”

– “Levava cavalo branco,
Selim de prata dourada;
Na ponta da sua lança
A cruz de Cristo levava.”

– “Pelos sinais que me destes
Tal cavaleiro não vi
Mas quanto dareis, senhora
A quem no trouxera aqui?”
– “Daria tanto dinheiro
Que não tem conta nem fim
E as telhas do meu telhado
Que são de oiro e marfim.”

– “Guardai o vosso dinheiro
Não o quero para mim
Que darias mais, senhora
A quem o trouxera aqui?

– “As três filhinhas que tenho
Todas tas daria a ti
A mais formosa de todas
Para contigo dormir.”

– “As vossas filhas, infanta,
Não são damas para mim:
Que daríeis mais senhora
A quem o trouxera aqui?”

– “Não tenho mais que te dar,
Nem tu mais que me pedir.”

– “Dá-me outra coisa, senhora
Se queres que o traga aqui.

– “Este anel de sete pedras
Que eu contigo reparti,
Que é dela a outra metade?
Pois a minha, vê-la aqui!”

– “Tantos anos que chorei,
Tantos sustos que tremi! ..
Deus te perdoe, marido,
Que me ias matando aqui.”

NOTAS:

  • Esta versão cantada  pelo Grupo Musical  Maio Moço  apresenta algumas diferenças relativamente à(s) publicada(s) por Almeida Garrett no seu Romanceiro. (Ver por exemplo aqui com proposta de análise textual e histórica por Monica Oliveira)
  • O primeiro volume do Romanceiro e Cancioneiro Geral de Almeida Garrett (1799- 1854) é publicado em 1844, no mesmo ano em que escreve Viagens na minha terra.  Em 1851 saem os 2º e 3º volumes desta antologia de literatura tradicional, «canções populares, xácaras, romances* ou rimances, solaus, ou como lhe queiram chamar.» (AG in Introdução, 2º vol., p.7; ver aqui pdf)
  • *«Primitivamente, romance ou romanço designava o cruzamento das línguas com o latim vulgar dos conquistadores romanos, até se formar, em lenta mas segura evolução, no caso que nos importa, o português individualizado.  Muito mais tarde, a partir do século XV, adquiriu a palavra outra acepção, passando a traduzir composições de natureza narrativa, em forma de quadras de redondilha maior, de inspiração bélica e amorosa, ou abreviadamente, épico-lírica, (…)»Fernando Pires de Lima, in Introdução ao Romanceiro de Almeida Garrett Gabinete de Etnografia , FNAT, 1963 (fonte)
  • Neste blogue  estão publicados muitos dos mais belos romances compilados por Almeida Garrett no no seu Romanceiro.

 

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