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O Dia do Terramoto de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada

Posted by Manuela DLRamos em Novembro 1, 2015

Livro do dia  – Coleção Viagens no Tempo
diadoterramoto«— Ana! — berrou o João, cravando-lhe as unhas no braço. — Ana!

Lívidos de pavor, viram então a cidade ondular, agitar-se numa dança infernal. Palácios, igrejas, casas, cúpulas, torres, moviam-se como uma seara ao vento.

Durante seis minutos intermináveis Lisboa oscilou, rasgou-se, abateu-se como um castelo de cartas. O estrondo daquele mundo que se resolvia numa avalanche de pedra abafou o clamor pavoroso, a gritaria, o desespero de quantos sofriam as horas terríveis do cataclismo.

— É o fim do mundo! É o fim do mundo!

Assombrados com o espetáculo, nem utilizaram o binóculo. As pessoas atropelavam-se para alcançarem lugar seguro. Mas o solo estalava, abria brechas medonhas de onde saíam nuvens de vapor fedorento. As paredes rachavam, os tetos abatiam, as janelas rebentavam, os vitrais estilhaçavam-se, os sinos de bronze precipitavam-se do alto dos campanários, esmagando homens, mulheres, crianças e animais que, prisioneiros do entulho, não conseguiam dispersar.

De repente levantou-se um vento furioso, que avivou as primeiras chamas. O fogo alastrou então em vários pontos da cidade, devorando tecidos, madeiras, palheiros, telhas, sobrados, numa voragem sem fim!

— O fogo está a chegar ao castelo!
— A pólvora vai rebentar!
— A colina vai explodir!
— Deus tenha piedade de nós!
— Para o Tejo! Para o Tejo! — gritou alguém. — Só à beira do rio é possível escapar.

Uma multidão aterrorizada correu para a margem. Espezinhavam-se uns aos outros na ânsia de salvarem a pele. Mas não tardaram a recuar espavoridos. As águas erguiam-se em fúria. Violentos remoinhos sugavam barcos pequenos e grandes arremessando-os de encontro ao cais, onde se despedaçavam.

Depois, um sorvedouro do inferno inverteu o movimento das águas e o rio quase desapareceu, deixando a descoberto um fundo de lodo onde se debatiam peixe e irrompiam jactos de enxofre por entre lama viscosa, a borbulhar.

Durante alguns instantes ninguém se moveu, tal era o horror que sentiam. E a pausa seria fatal! Uma onda gigante crescia do fundo do oceano. Enorme, escura, enrolou-se no ar e abateu-se sobre a cidade com um fragor inacreditável. Rolando sobre si mesma, arrastou consigo num torvelinho alucinante tudo o que encontrou à passagem.

Os dois irmãos tremiam da cabeça aos pés. João tinha o corpo encharcado em suor e Ana chorava em silêncio.

— O tsunamis!
— Que horror! Que horror!

[…]» (in O Dia do Terramoto de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, pp. 178-181) Excerto transcrito daqui

Vídeo:
Excerto de 2.05 da versão legendada do vídeo da reconstituição do Terramoto de 1755 produzido pelo Smithsonian Channel


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