BiblioBeiriz

Serviços de Biblioteca – Agrupamento de Escolas Campo Aberto – Escola E.B. 2/3 de Beiriz

Archive for the ‘António Torrado’ Category

“A prima do Anacleto”

Posted by Manuela DLRamos em Março 20, 2015

Um texto de António Torrado e Maria Alberta Meneres do livro Hoje há palhaços (1ª ed. 1977)

primanacleto«Os dois palhaços Emilinho e Anacleto divertem-se em todas as estações, mas, quando os dias começam a ficar mais risonhos, eles são os primeiros a dar por isso. Talvez seja a borboleta do Anacleto, que é uma espécie de antena muito sensível a certas ondas que andam no ar, a certos perfumes… Talvez seja o chapéu alto do Emilinho, que é uma espécie de caixa de rufo, aonde todos os sons, espalhados pelo ar, chegam com mais força e batem com mais alegria… Talvez seja de tudo isto ou de nada disto…o melhor será saber o que dizem.

Do lado de fora de um jardim para toda a gente:
Anacleto – Tu não estás a ouvir as pessoas a chegar, Emilinho?
Emilinho – (de ouvidos à escuta) Sim, parece que sim… Pelos passos parece uma pessoa.
Anacleto – (também de ouvido à escuta) Talvez seja! Talvez seja! E trata-se de uma pessoa muito especial; passinho à frente do outro, mais outro passinho à frente, ainda outro…
Emilinho – Aproxima-se…
Anacleto – Pois é. Vem para este lado e, pela maneira de andar, tenho quase a certeza de que são os passinhos da minha prima.
Emilinho – Afinal já descobriste se vem só ou acompanhada?
Anacleto – Se é a minha prima, vem acompanhada. Um passinho que dá, e rompe uma ervinha!Um sopro que só ela sabe, e nasce um passarinho no ar.
Emilinho – Não conheço a tua prima.
Anacleto – Conheces, sim. Toda agente a conhece. Muitas vezes não reparamos. Na cidade, principalmente, quase não damos por ela. Mas é preciso ouvir-lhe os passinhos e ver por onde ela andou.
Emilinho – Gostava muito de conhecer a tua prima.
Anacleto – Não custa nada. Nas bermas da rua, entre duas pedrinhas, uma erva põe-se em bicos de pé e diz: “Cá estou! Sou eu, olhem para mim”. Numa árvore, de um tronco torcido, rompe uma hastezinha muito fininha, donde estala uma flor que se põe a gritar, toda, toda às cores: “Estou aqui! Olhem, não passem sem me ver… Nasci agora, agora mesmo.”
Emilinho – E a tua prima que tem a ver com isso?
Anacleto – Ela é que sabe! Ela é que sabe!
Emilinho – Como se chama a tua prima?
Anacleto – Vera! Chama-se Vera. Prima Vera, prima Vera. É a Primavera. Vem todos os anos, por esta altura. Se queres vê-la, anda daí. Vamos ter com ela ao jardim.» (fonte)

Anúncios

Posted in António Torrado, Maria Alberta Menéres | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

Hoje há palhaços

Posted by Manuela DLRamos em Fevereiro 28, 2014

capahojehapalhacos (2)

Hoje (amanhã, depois de amanhã e sempre que nos apetecer rir) é dia de ler este livro e a sua “continuação” da autoria de António Torrado e Maria Alberta Menéres, dois dos nossos escritores favoritos.
Aqui fica um pequeno excerto para abrir o apetite, umas das falas mais apreciadas pelos alunos, a parte final de “A Escola a Rir”:

«(…) Anacleto: (ofendido) Palhaço? Se não me engano, tu chamaste-me palhaço?
Emilinho: Foi ao retrato daquele da borboleta…
Anacleto: Vai dar ao mesmo. Ora se há coisa que me faz frenicoques na raiz dos cabelos e nas asas da borboleta é que me chamem palhaço. Eu não sou nada palhaço. Eu não gosto que me chamem palhaço. Palhaço és tu! Tu é que és um palhaço, palhacete, palhação!
Emilinho: (levantando-se da carteira e fugindo a rir-se) Palhaço.
Anacleto: Cabeça de melão, cara de borrão, nariz de latão, miolos de sabão… (fica sozinho e acaba por sentar-se na carteira da frente) Afinal que ganho eu em ficar nesta carteira sem o Emilinho para arreliar? Vou ter com ele. (Sai, gritando) Espera por mim palhaço, palhacete, cabeça de alfinete, miolos de sorvete, de sabão ou sabonete… Espera por mim! »

A história deste livro vem resumida no primeiro parágrafo da  sinopse da  editora: «Hoje há Palhaços reúne em livro alguns dos sketches televisivos que António Torrado e Maria Alberta Menéres (1) escreveram há já vários anos para o programa homónimo da RTP, que diariamente levava a casa de milhares de crianças portuguesas as aventuras e desventuras do Anacleto e do Emilinho, interpretados, respectivamente, pelos actores Carlos Cabral e Rogério Vieira.  (…)» continuar a ler 

(1)-  Maria Alberta Menéres, em 1975, tinha assumido o cargo de  chefe do departamento de programas infantis e juvenis da RTP. (fonte)

Atualmente,  os textos estão divididos por dois livros ilustrados por Nikola Raspopovic  Hoje há palhaços  e Hoje também há palhaços (ver). A versão original de 1976 – dedicada aos atores “a quem Anacleto e Emilinho devem rosto e corpo” -reunia 11 textos, numa publicação da Plátano Editora, e era o nº 2 da coleção “a rã que ri”.  O livro, ilustrada por Melo Frazão (1942-1995),  encontra-se ainda nos acervos das Bibliotecas mais antigas do 1º ciclo,  e nós também  o temos.  Em baixo reproduzem-se a capa, a folha de rosto e o índice. (ver mais aqui)

hojehapalhacos1976Hojehapalhacos1976Paginarostohojehapalacos1976indice

———(post em construção)

Ver todos os artigos sobre António Torrado aqui no blogue

Posted in António Torrado, Maria Alberta Menéres | Com as etiquetas : , , | Leave a Comment »

Histórias à solta na minha rua- AntónioTorrado

Posted by Manuela DLRamos em Janeiro 24, 2012

«Na minha rua, todos os dias se passam histórias fantásticas. Podem vocês achar que exagero, que não será bem assim, que todas as ruas são iguais e os dias iguais em todas as ruas… Pois aí é que vocês se enganam e eu vos direi porquê.
Para caçar uma história na minha rua, como na rua ao lado e em outra ou outras ruas, não é preciso dar muitos passos nem ficar muito tempo à janela. É preciso isso sim, estar à coca, cheio até aos olhos de atenção…
Às duas por três a história vem ter connosco. Muito sorrateiramente ela acaba sempre por vir ter connosco.
Depois agarra-se na história com muito cuidado, tiram-se-lhe as medidas, porque o mais das vezes, as histórias são demasiado compridas e emaranhadas para caberem nas páginas destes livros e passa-se tudo ao papel, de preferência pautado, para se meter mais umas coisas nas entrelinhas. Acabada a redacção, lê-se em voz alta, por causa dum tal bichinho do ouvido, que aprecia muito a música das histórias. E para terminar, põe-se a história à janela, a secar ao sol, ou não fosse ela da minha rua. É sempre assim que eu faço. Não custa nada. Sucede que, no caso da história que vou contar, as coisas, não se passaram, infelizmente, com tanta perfeição. Não fui eu que a agarrei, mas ela, a história que se agarrou a mim e com que força… Até me puxou os cabelos, a velhaca! Acontecem, às vezes, percalços destes e, afinal, ao escrevê-los também se compõe uma história. Espero que gostem.» António Torrado, “Uma história à solta na minha rua”

Nós gostamos,e muito, desta história e deste belo livro “risonhamente ilustradas pelo talento de Chico” como se pode ler na curta sinopse que a seguir se transcreve da contracapa: «Dar voz aos animais é próprio das fábulas. Mas nestas divertidas histórias de António Torrado, risonhamente ilustradas pelo talento de Chico, os animais não se limitam a falar entre eles. Também conversam connosco, protestam, refilam e armam grandes confusões no mundo dos homens. Pequenos leitores e leitores crescidos vão acertar o riso à volta do mesmo livro e nunca mais o irão esquecer»

  • E para nossa alegria, fomos descobrir  algumas destas histórias a “morar”  num outro livrinho do autor, com desenhos também muito  divertidos  de Eduardo Perestrelo, intitulado Jardim Zoológico em Casa, publicado pela Plátano, cremos que em 1978. Estava num armário de uma escola do 1º ciclo do nosso agrupamento e depois de passar pelas mãos da enfermeira de serviço da BE (pois tinha tido muito uso e o seu estado não era dos melhores) saltou para a prateleira das “relíquias”, como lhe chama uma senhora que trabalha na escola.

Mas aqui fica o registo das histórias de cada um dos livros:
O Jardim Zoológico em casa
Nove vezes nove? Oitenta e um, sete macacos e tu és um.
O jardim zoológico em casa (A rã Felisbela)
O Gato que era rei
Fu Chow , a princesa das pulgas
A cabrinha traquinas e o cavalheiro respeitável

Histórias à solta na minha rua
Uma história à solta na minha rua
Fu Chow , a princesa das pulgas
A Rã Felisbela
O grilo Grilarim cantarola no jardim
Nove vezes nove? Oitenta e um, sete macacos e tu és um.
Os bichanos também são manhosos

Posted in António Torrado, Chico, Eduardo Perestrelo, Francisco Cunha | Com as etiquetas : , , | Leave a Comment »

A Nau Catrineta que tem muito que contar

Posted by Manuela DLRamos em Janeiro 5, 2012

A Nau Catrineta que tem Muito que Contar de António Torrado, ilustrada por Paula Soares, numa edição escolar da Civilização Editora, foi o livrinho que oferecemos aos “top-leitores” do 1º período. (ver nota para professores)

«Quem lembra a Nau Catrineta
quem a chora e a lastima,
ondas do mar abaixo
ondas do mar acima?

Quem vira costas aos cais
que da espera se arruína,
ondas do mar abaixo
ondas do mar acima?

Quem, de janelas fechadas,
enlutadas, desanima,
ondas do mar abaixo
ondas do mar acima?

Neste silêncio de mais
pelo cais, onde a neblina
apaga esquinas, umbrais,
um velho arrais se aproxima..

A névoa que traz nos olhos
a névoa que o encortina
arranca flocos de névoa,
trovas de pranto em surdina:
“Eu sei da Nau Catrineta
que tem muito que contar,
Foi EI- Rei quem ordenou
que a fossem aparelhar.
O capitão a aparelha
nem mais tinha que esperar,
ao sair da barra fora
tudo era arrebicar. (…)”»
continuar a ler no blogue do Contador de Histórias

Para saber mais:

«A Nau Catrineta é um poema romanceado por um anónimo, relativo às viagens para o Brasil ou para o Oriente. Segundo Almeida Garrett, o romance popular A Nau Catrineta terá sido baseado no episódio sobre o Naufrágio que passou Jorge de Albuquerque Coelho, vindo do Brasil, no ano de 1565, que integra a História Trágico-Marítima. Este poema, que Garrett incluiu no seu Romanceiro  (1843-1851), foi bastante difundido pelos países setentrionais.
Diz a lenda que decorria o ano de 1565 quando saiu de Pernambuco a nau “Santo António” com destino a Lisboa, levando a bordo Jorge de Albuquerque Coelho, filho do fundador daquela cidade. Pouco depois de deixarem terra, avistaram uma embarcação que vinha na sua direção e que identificaram como um navio corsário francês, que pilhava os barcos naquelas paragens. Dado o alerta, pouco adiantou desfraldarem todas as velas, pois o “Santo António” tinha os porões demasiado carregados. A abordagem dos corsários foi rápida e eficaz: a nau foi saqueada com todos os seus haveres e deixada à deriva no mar sob o sol escaldante. Os tripulantes mais fracos ou feridos em combate foram morrendo de sede e de escorbuto e os que iam sobrevivendo não esperavam melhor sorte. O desespero apoderou-se dos marinheiros e um deles cheio de fome tentou arrancar pedaços de carne de um companheiro moribundo. Alertados pelos gemidos do homem, acercaram-se dele todos os sobreviventes, uns, para evitarem a ação desesperada, e outros, para nela participarem. Os ânimos estavam já muito exaltados, quando a voz de Jorge de Albuquerque Coelho se levantou, aconselhando-lhes calma e apelando para a sua dignidade de homens. Os marinheiros serenaram, enquanto a nau continuava à deriva. Por fim, foi avistada terra portuguesa, onde todos foram acolhidos e tratados. Conta-se que, muitos anos depois, Jorge de Albuquerque Coelho, já de idade avançada, se sentava em frente ao mar rodeado de amigos para contar a sua história que começava assim: “Lá vem a nau Catrineta, que tem muito que contar. Ouvi, agora, senhores, uma história de pasmar…”.»

A Nau Catrineta. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-01-01]. Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$a-nau-catrineta,2&gt;.

Imagem: tapeçaria de Portalegre reproduzindo “A Nau Catrineta” de Almada Negreiros,  executada a partir dos painéis da Gare Marítima de Alcântara. (Para ver fotos dos painéis pesquisar na Biblioteca de Arte / Fundação Calouste Gulbenkian)

                      .

————————————————

Notas para professores:

  • O texto de António Torrado não é de leitura fácil, com um vocabulário e construção frásica incomuns. Não se trata de uma adaptação para crianças, simplificada, mas sim de uma versão literária da lenda que narra as desventuras da nau quinhentista e dos seus tripulantes. Não creio que seja de todo apropriado para o 3º ano do 1º ciclo (como talvez por lapso vem aconselhado nas lista do PNL); para este nível etário seria mais apropriada a divertida Nau Mentireta de Luísa Ducla Soares com ilustrações de Manuela Bacelar (livro infelizmente esgotado, do qual possuímos apenas um exemplar e uma versão digitalizada), efetivamente aconselhada para o 2º ano- ver capa e texto aqui)
  • A ler: Nau Catarineta: Da Jornada Marítima à Literatura Infanto-Juvenil (pdf) por Rhea Sílvia Willmer (dissertação de mestrado) Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2009

Posted in Almeida Garrett, António Torrado, Descobrimentos, Fausto, História, Nau Catrineta, Paula Soares | Com as etiquetas : , , , , , , , , , | Leave a Comment »

António Torrado

Posted by Manuela DLRamos em Janeiro 3, 2012

Para ficar a conhecer melhor um dos autores portugueses mais apreciados por miúdos e graúdos.

EM DESTAQUE
  • História do Dia (sítio onde todos os dias se pode ler e ouvir uma pequena história do autor)
BIOBIBLIOGRAFIAS
ENTREVISTAS

—————-

Na nossa Biblioteca podes ler e requisitar:

E ainda

Na EB1 de Paçô há:

(em construção)

Posted in António Torrado | Com as etiquetas : , , | 3 Comments »

Livros fechados – livros abertos

Posted by Manuela DLRamos em Janeiro 2, 2012

Escolhemos este texto de António Torrado para primeira entrada de 2012 por duas razões:

  1. Não podia expressar melhor os nossos votos: ver na biblioteca cada vez mais meninos e meninas (e  professores ;-) a abrir os livros, descobrindo neles a matéria de que somos feitos, aprendendo a sonhar.
  2. É da autoria de António Torrado, um dos mais conceituados escritores portugueses, responsável pela versão de A Nau Catrineta, publicada no livrinho com que vamos premiar os nossos “top-leitores” do 1º período.

«Era uma vez um livro. Um livro fechado. Tristemente fechado. Irremediavelmente fechado.
Nunca ninguém o abrira nem sequer para ler as primeiras linhas da primeira página das muitas que o livro tinha para oferecer.
Quem o comprara trouxera-o para casa e, provavelmente insensível ao que o livro valia, ao que o  .livro continha, enfiara-o numa prateleira, ao lado de muitos outros.
Ali estava. Ali ficou.
Um dia, mais não podendo, queixou-se:
— Ninguém me leu. Ninguém me liga.
Ao lado, um colega disse:
— Desconfio que, nesta estante, haverá muitos outros como tu.
— É o teu caso? — perguntou, ansiosamente, o livro que nunca tinha sido aberto.
— Por sinal, não — esclareceu o colega, um respeitável calhamaço. — Estou todo sublinhado. Fui lido e relido. Sou um livro de estudo.
— Quem me dera essa sorte — disse outro livro ao lado, a entrar na conversa. — Por mim só me passaram os olhos. Página sim, página não… Mas, enfim, já prestei para alguma coisa.
— Eu também — falou, perto deles, um livrinho estreito. — Durante muito tempo, servi de calço a uma mesa que tinha um pé mais curto.
— Isso não é trabalho para livro — estranhou o calhamaço.
— À falta de outro… — conformou-se o livro estreitinho.
Escutando os seus companheiros de estante, o livro que nunca fora aberto sentiu uma secreta inveja. Ao menos, tinham para contar, ao passo que ele… Suspirou.
Não chegou ao fim do suspiro, porque duas mãos o foram buscar, ao aperto da prateleira. As mãos pegaram nele e poisaram-no sobre uns joelhos.
— Tem bonecos esse livro? — perguntou a voz de uma menina, debruçada para o livro, ainda por abrir.
— Se tem! Muitos bonecos, muitas histórias que eu vou ler-te — disse uma voz mais grave, a quem pertenciam as mãos que escolheram o livro da estante.
Começou a folheá-lo, e enquanto lhe alisava as primeiras páginas, foi dizendo:
— Este livro tem uma história. Comprei-o no dia em que tu nasceste. Guardei-o para ti, até hoje. É um livro muito especial.
— Lê — pediu a voz da menina.
E o pai da menina leu. E o livro aberto deixou que o lessem, de ponta a ponta.
Às vezes vale a pena esperar. »

(Livro Fechado, António Torrado – Mensagem Nacional para o Dia Internacional do Livro Infantil – 2 de Abril de 1997). Fonte

Posted in António Torrado, Dia Internacional do Livro Infantil | Leave a Comment »