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Archive for the ‘Irmãos Grimm’ Category

Jorinda e Joringuel- Irmãos Grimm

Posted by Manuela DLRamos em Maio 30, 2013

O conto que em baixo se transcreve  é o nº 69 da lista dos Contos de fadas para o lar e as crianças (Kinder- und Hausmärchen) dos Irmãos Grimm, título do livro cujo bicentenário se celebra este ano.

Ilustração Stephanie Hannah Martin

«Era uma vez um castelo antigo, no meio de uma densa floresta, onde morava sozinha uma velha que era uma temível bruxa.  De dia, transformava-se em gata ou em coruja e, de noite, retomava regularmente forma humana. Com as suas artes mágicas, atraía animais selvagens e pássaros que depois matava e cozinhava para comer.

Ai de quem se aproximasse do castelo! Num raio de mil passos a toda a volta, a floresta estava embruxada. Quem, distraidamente, ali penetrasse ficaria mudo e quedo, sem se poder mexer, até que a bruxa o quisesse vir libertar. E, se fosse uma rapariga, pior: a bruxa transformava-a em pássaro, fechava-a numa gaiola e levava-a para uma sala do castelo, onde havia já mais de sete mil destas aves.

Ilustração de Bernadette Watts

Ora havia naquele tempo uma linda rapariga chamada Jorinda que amava ternamente um gentil rapaz chamado Joringuel. Estavam noivos e pouco faltava para o dia do casamento. Certa tarde, como estava um tempo magnífico, foram passear para a floresta. O sol brilhava entre as folhas verdes e os pássaros cantavam nos ramos.

De repente, sentiram uma grande tristeza. Olharam em volta: o sol começava a esconder-se atrás dos montes e estavam perdidos. Joringuel avançou uns passos e descobriu, aterrorizado, por entre as árvores, os muros do castelo. Ouviu Jorinda cantar:

– O passarito do anel azul,
(que triste sorte!)
à pomba canta a sua morte
Tristemente canta: tac-tac-uit-uit

Joringuel olhou em redor à procura de Jorinda. E viu-a transformada num rouxinol a cantar ” piu.., piu., piu..” Uma coruja com olhos flamejantes voou em círculo três vezes à volta dela e das três vezes piou: “uúu … uúu… uúu”.

ilustração de Adrienne Segur

Joringuel, transformado em estátua, não podia chorar, nem falar, nem mexer um dedo.
O sol pôs-se por completo. A coruja voou para uma moita e, de súbito, saiu de lá uma velha corcovada, amarela e magra, com olhos vermelhos e um nariz tão adunco que a ponta lhe tocava no queixo.
Murmurando qualquer coisa, pegou no rouxinol e levou-o bem apertado na mão. Joringuel não podia mexer-se nem dizer nada e o rouxinol já ia longe.

Finalmente, a velha voltou e disse em voz surda:
– Salve, Zequiel, a lua brilha no charco. Liberta-o, Zequiel, de imediato.

Então Joringuel ficou livre. Lançou-se aos pés da velha, suplicou-lhe que lhe restituísse a sua querida Jorinda, mas a bruxa jurou-lhe que nunca mais a veria e desapareceu.
Joringuel gritou, chorou e desesperou-se. Em vão.

Depois pôs-se a caminho. Andou, andou, andou. Chegou, por fim, a uma aldeia desconhecida onde ficou a tomar conta das ovelhas. Às vezes ia com o rebanho para perto do castelo, mas nunca se aproximava.

Certa noite sonhou que tinha encontrado uma flor vermelha, cor de sangue, em cujo centro havia uma pérola enorme, lindíssima. No sonho colhia-a e ia ao castelo. Tudo aquilo que com ela tocava ficava desencantado e assim recuperava a sua querida Jorinda.

De manhã, mal acordou, Joringuel começou a procurar por montes e vales a flor do sonho. Procurou sem descanso e, por fim, na madrugada do nono dia, encontrou uma flor vermelha, cor de sangue. Na corola havia uma gota de orvalho, enorme e brilhante como uma pérola magnífica.

Ilustração de Kay Konrad

Ao vê-lo, ficou enraivecida. Gritou, lançou-lhe fel e veneno, mas não pôde aproximar-se dele mais do que dois passos. Joringuel não lhe ligou. Toda a sua atenção estava concentrada nas gaiolas: entre tantos milhares de pássaros, como podia reconhecer a sua Jorinda?
Enquanto os observava, apercebeu-se de que a velha pegara numa gaiola e tentava fugir. Correu atrás dela e tocou-lhe com a flor. A bruxa perdeu as suas artes mágicas e Jorinda lançou-se-lhe nos braços, mais bela do que nunca. Quebrado o encanto, todos os outros pássaros se transformaram em lindas raparigas.

Depois voltou para casa com a sua Jorinda e viveram juntos e felizes por muitos e muitos anos.» (adaptado e corrigido)

in Os mais belos contos de Grimm, Civilização;  fonte:  Jorinda e Joringuel – Porto Editora (atenção à falta do 6º parágrafo em alguns manuais, reproduzindo o erro da edição da Civilização.)

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Em baixo podes deliciar-te com uma versão moderna desta história, ao som da música de Vivaldi. És capaz de descobrir as diferenças entre as duas versões?

  • E ainda:
    • Aprecia aqui  mais duas versões animadas de “Jorinda e Joringuel” e através de uma delas fica a conhecer  a linda canção da Jorinda.

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“Branca de Neve e os Sete Anões” – o primeiro clássico da Disney

Posted by Manuela DLRamos em Dezembro 21, 2012

Elas são tantas e tão importantes que não deve haver um dia em que uma das nossas personagens favoritas não seja motivo de celebração.

Ontem foi o Capuchinho Vermelho, hoje é a  vez da Branca de Neve, ou melhor do seu mais conhecido filme:  há precisamente 75 anos, em 21 de dezembro de 1937 foi estreado o famoso filme  Snow White and the Seven Dwarfs, a primeira longa metragem a cores da Disney, adaptação do conto Branca de Neve  dos Irmãos Grimm.  A sua banda sonora, com canções  lindíssimas obteve um Oscar em 1938.

É justamente uma dessas canções que aqui se reproduz na versão em português cantada por Sandra de Castro

«Sorri nesta canção
E a vida terá dia de sol belo a brilhar
Coração feliz
Sorri nesta canção
E o mundo também acorda a cantar como tu
A canção que diz:
P´ra quê reclamar, diz, da chuva, dos ventos
Não esqueças que és o tal
Se o próprio sol que brilha por cantar e sorrir
E trarás Primavera e harmonia pela mão
Sorri nesta canção.»

Vê no Scoop.it o que selecionamos sobre a Branca de Neve e os Sete Anões.

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“O Capuchinho Vermelho” dos Irmãos Grimm versão “Doodle-Google”

Posted by Manuela DLRamos em Dezembro 20, 2012

O Google celebra o bicentenário da publicação do primeiro volume dos Contos dos Irmãos Grimm com um doodle  dedicado ao Capuchinho Vermelho (via Biblio Teia).


E agora dedicada às avózinhas ;-) uma cançãozinha que se cantava por cá, de uma versão brasileira da história, dos anos 60, o CHAPÉUZINHO VERMELHO – Coleção Disquinho   (e que se continua ainda a cantar em variadas versões : ver por exemplo a das Músicas da Carochinha):

Capuchinho:
Pela estrada fora eu vou bem sozinha

Levar estes bolos pra minha avozinha
Ela mora longe o caminho é deserto
E o lobo mau passeia aqui bem pert0

Só à noitinha ao sol poente
Junto à avozinha dormirei contente. 

Lobo:
Sou o lobo mau, lobo mau, lobo mau

Pego nas criancinhas pra
Fazer o meu mingau
Hoje estou contente
Vai haver festança
Tenho um bom petisco pra encher a pança. (Lobo mau)
(…)
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A propósito desta comemoração:

  • A exposição «Os Irmãos Grimm -Vida e Obra» está  agora  no Norte e encontra-se patente na Biblioteca Municipal do Porto até ao dia 15 de Janeiro  (de segunda a sábado entre as 10:00h-18:00 h.);
  • No próximo dia 22, no âmbito da referida exposição, será apresentado o livro Capuchinho Vermelho: Histórias Secretas e Outras Menos, uma colectânea de textos de António Manuel Pacheco | António Mota | Augusto Baptista | Carla Maia de Almeida | Eugénio Roda | Francisco Duarte Mangas | Isabel Minhós Martins | João Manuel Ribeiro | João Pedro Mésseder | Teresa Martinho Marques |Vergílio Alberto Vieira; Coordenação: Sara Reis da Silva e José António Gomes ( Bag of Books edições)

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200 anos dos Contos dos Irmãos Grimm

Posted by Manuela DLRamos em Abril 6, 2012

Quem não conhece O Capuchinho Vermelho, O Ganso de Ouro, O Príncipe Sapo, Os Músicos de Bremen, Jorinda e Joringueltantos outros contos?

Muitas destas histórias a que hoje temos acesso nas mais variadas versões e formas de arte foram compiladas nos conhecidos Contos de Grimm – ou melhor dizendo dos Irmãos Grimm (Jacob:1785–1863 e Wilhelm: 1786–1859).

No corrente ano celebra-se o bicentenário da publicação do 1.º volume desta famosa colecção de contos intitulada no original Kinder-und Hausmärchen (traduzido por: Contos de fadas para o lar e as criançasContos para as Crianças e para a Família,  Contos da Infância e do Lar, etc..) 

Das iniciativas organizadas para comemorar esta data destacamos:

  • A exposição itinerante  «Os Irmãos Grimm -Vida e Obra», atualmente patente em Aveiro  até  30.04 (em Coimbra estará de 15.05 a 15.07 e em Lisboa na BN, entre 01.08 e 31.10 e no Porto -de 21.11 a 15.01)  que  «(…) procura retratar o percurso de vida pessoal de Jacob e Wilhelm Grimm, ilustrar a sua intervenção política, a actividade bibliotecária e académica, bem como o trabalho científico que desenvolveram, dando ainda testemunho da irradiação internacional da sua obra, muito especialmente da recepção que teve em Portugal.»
  • DOIS LIVROS:

 Contos da Infância e do Lar, dos Irmãos Grimm,  pela Temas e Debates / Círculo de Leitores,   a primeira edição integral em língua portuguesa do livro cuja edição bicentenária se celebra neste ano de 2012.

(Os três volumes incluirão para além doduzentos contos, dez lendas religiosas infantis (da obra original) «um apêndice com outros vinte e oito contos não incluídos na última edição em vida dos autores (1856-57), um conjunto de seis fragmentos de contos e um longo capítulo que inclui bibliografia relevante citada pelos autores nas suas notas e considerações gerais sobre diversas tradições nacionais, assim como uma reflexão final sobre a relação dos contos populares com a mitologia.» –fonte)

 The Fairy Tales of the Brothers Grimm, publicada pela Taschen (a primeira incursão desta prestigiada editora na literatura infantil). Trata-se de uma tradução original acompanhada de uma seleção das melhores ilustrações dos Contos de Grimm feitas entre 1820 e 1950, recolhidas de compilações de todo o mundo. > Ver aqui  imagens do interior do livro.

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