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Archive for the ‘Natália Correia’ Category

“Queixa das Almas Jovens Censuradas”

Posted by Manuela DLRamos em Abril 24, 2014

José Mario Branco canta poema de Natália Correia

do Álbum Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades > gravado em Paris, em 1971.

queixaNataliaCorreia

Ouvir Natália Correia a dizer o poema

 

Posted in 25 de Abril, 25 poemas e canções para o 25 de Abril, José Mário Branco, Natália Correia | Com as etiquetas : | 1 Comment »

A Defesa do Poeta

Posted by bibliobeiriz em Fevereiro 26, 2010

Senhores jurados sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto.

Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim.

Sou em código o azul de todos
( curtido couro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes.

Senhores banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei.

Senhores professores que pusestes
a prémio minha rara edição
de raptar-me em crianças que salvo
do incêndio da vossa lição.

Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois os reis
sou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não vereis.

Senhores heróis até aos dentes
puro exercício de ninguém
minha cobardia é esperar-vos
umas estrofes mais além.

Senhores três quatro cinco e sete
que medo vos pôs por ordem?
Que favor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem?

Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa.

Sou um instantâneo das coisas
apanhadas em delito de perdão
a raiz quadrada da flor
que espalmais em apertos de mão.

Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever.
Ó subalimentados do sonho!
A poesia é para comer.

Natália Correia-  “A defesa do poeta”, Poesia Completa, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2000, pág. 330 e seg. (nota em rodapé: «Compus este poema para me defender no Tribunal Plenário de tenebrosa memória. O que não fiz a pedido do meu advogado que sensatamente me advertiu de que essa insólita leitura no decorrer do julgamento comprometeria a defesa, agravando a a sentença.» (Ler aqui  mais detalhes sobre as circunstâncias que deram origem a este poema.)

Post dedicado

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