BiblioBeiriz

Serviços de Biblioteca – Agrupamento de Escolas Campo Aberto – Escola E.B. 2/3 de Beiriz

Posts Tagged ‘citação – livro/leitura’

Dia Internacional do Livro Infantil

Posted by Manuela DLRamos em Abril 2, 2018

DILI_2018

Cartaz de Fátima Afonso

A data de nascimento de Hans Christian Andersen– que hoje é especialmente lembrado em todo o mundo- foi escolhida para se comemorar o Dia Internacional do Livro Infantil.  Assim acontece desde 1967, celebrando e lembrando a importância da literatura para a infância.

No nosso blogue assinalamos essa data desde 2005, um ano de comemorações inesquecíveis pois foi o bicentenário do nascimento de Hans Christian Andersen (1805- 1875).

Todos os anos é escolhido um país que esteja filiado no “International Board on Books for Young People” (IBBY)- promotor da iniciativa- para compor uma mensagem (texto e ilustração).

Este ano coube a vez à Letónia e Inese Zandere, autora de mais trinta livros para crianças e jovens (fonte), consegue exprimir magistralmente no seu texto (dirigido aos adultos e que a seguir transcrevemos) a função “estruturante” dos textos literários e dos livros em que tomam forma.

«O pequeno torna-se grande num livro

As pessoas inclinam-se para o ritmo e para o equilíbrio, tal como a energia magnética organiza as aparas de metal numa experiência da física, tal como um floco de neve forma cristais a partir da água.

Num conto de fadas ou num poema, as crianças gostam de repetição, de refrãos e de temas universais, porque eles podem ser reconhecidos uma e outra vez – trazem ao texto regularidade. O mundo ganha uma ordem bonita. Ainda me lembro como, em criança, lutava comigo mesma para defender a justiça e a simetria, pela igualdade de direitos da esquerda e da direita: se tamborilava com os dedos em cima da mesa, contava quantas vezes tinha de bater com cada dedo, para que os outros não se sentissem ofendidos. E quando aplaudia, batia com a mão direita na esquerda, mas depois pensava que não era justo e aprendi a fazê-lo de maneira contrária – batendo com a esquerda na direita. Este desejo instintivo de equilíbrio parece engraçado, é certo, mas mostra a necessidade de evitar que o mundo se torne assimétrico. E eu tinha a sensação de ser a única responsável por todo o seu equilíbrio.

A inclinação das crianças por poemas e por histórias surge igualmente da sua necessidade de levar harmonia ao caos do mundo. Da indeterminação, tudo tende para a ordem. As canções infantis, as canções populares, os jogos, os contos de fadas, a poesia – são formas de existência ritmicamente organizadas que ajudam os mais pequenos a estruturar a sua presença no grande caos. Criam a consciência instintiva de que a ordem do mundo é possível, e que as pessoas têm nele um lugar único.

Tudo conduz para este objetivo: a organização rítmica do texto, as linhas com letras e o design da página, a impressão do livro como um todo bem estruturado. O grande revela-se no pequeno, e damos-lhe forma nos livros infantis, mesmo quando não estamos a pensar em Deus ou na dimensão fractal. Um livro infantil é uma força milagrosa que favorece o enorme desejo das crianças e a sua capacidade de ser. Promove a sua coragem de viver.

Num livro, o pequeno é sempre grande, de forma instantânea e não apenas quando se chega à idade adulta. Um livro é um mistério onde se pode encontrar algo que não se procurava ou que não estava ao nosso alcance. Aquilo que os leitores de uma certa idade não conseguem compreender, permanece na sua consciência como uma impressão, e continua a atuar mesmo quando não o compreendem totalmente. Um livro ilustrado pode funcionar como uma arca do tesouro de sabedoria e cultura mesmo para os adultos, da mesma forma que as crianças podem ler um livro para adultos e encontrar nele a sua própria história, um indício para as suas jovens vidas. O contexto cultural molda as pessoas, estabelecendo as bases para as impressões que se farão sentir no futuro, assim como para experiências mais difíceis, às quais terão de sobreviver sem por isso terem de deixar de ser íntegras.

Um livro infantil representa o respeito pela grandeza do pequeno. Representa um mundo que se cria de novo uma e outra vez, uma seriedade lúdica e preciosa, sem a qual tudo, incluindo a literatura para crianças, seria apenas um trabalho pesado e vazio.»

Tradução: Maria Carlos Loureiro, feita a partir da versão francesa e espanhola.

A ilustradora do cartaz português para assinalar o dia de hoje é Fátima Afonso vencedora do Prémio Nacional de Ilustração de 2017 (fonte DGLB )

Posted in Dia Internacional do Livro Infantil, Fátima Afonso, Hans Christian Andersen, Inese Zandere | Com as etiquetas : , , | 1 Comment »

A Biblioteca – Citação – Umberto Eco

Posted by Manuela DLRamos em Fevereiro 20, 2016

eco_biblioteca_capa A Biblioteca

«… Um dos mal-entendidos que dominam a noção de biblioteca é o facto de se pensar que se vai à biblioteca pedir um livro cujo título se conhece. Na verdade acontece muitas vezes ir-se à biblioteca porque se quer um livro cujo título se conhece, mas a principal função da biblioteca, pelo menos a função da biblioteca da minha casa ou da de qualquer amigo que possamos ir visitar, é de descobrir livros de cuja existência não se suspeitava e que, todavia, se revelam extremamente importantes para nós.
… A função ideal de uma biblioteca é de ser um pouco como a loja de um alfarrabista, algo onde se podem fazer verdadeiros achados e esta função só pode ser permitida por meio do livre acesso aos corredores das estantes.
… Se a biblioteca é, como pretende Borges, um modelo do Universo, tentemos transformá-la num universo à medida do homem e, volto a recordar, à medida do homem quer também dizer alegre, com a possibilidade de se tomar um café, com a possibilidade de dois estudantes numa tarde se sentarem numa maple e, não digo de se entregarem a um amplexo indecente, mas de consumarem parte do seu flirt na biblioteca, enquanto retiram ou voltam a pôr nas estantes alguns livros de interesse científico, isto é, uma biblioteca onde apeteça ir e que se vá transformando gradualmente numa grande máquina de tempos livres…». Transcrito daqui   
—-
Excertos de um texto  de Umberto Eco, passagem de uma intervenção proferida em março de 1981, no âmbito da comemoração dos vinte cinco anos da Biblioteca Municipal de Milão, cidade onde vivia e onde veio a falecer.

Umberto Eco nasceu na região de Piemonte em Itália, em 1932 e faleceu ontem. Bibliófilo, escritor, filósofo,  linguista, professor, semiólogo, foi uma das personalidades mais influentes no mundo académico contemporâneo.
Dois dos seus livros mais conhecidos são Come si fa una tesi di laurea  (1977) traduzido para Como se faz uma tese (Lisboa: Presença, 1980) e Il nome della rosa, em português O Nome da Rosa (Lisboa: Difel, 1983) – fonte
Na nossa biblioteca temos O Nome da Rosa,  na edição do Público (2002), 1º volume da Coleção Mil Folhas

ecobiblioteca

Umberto Eco na sua biblioteca particular

Posted in Umberto Eco | Com as etiquetas : , , , | 1 Comment »

Ler…

Posted by Manuela DLRamos em Setembro 8, 2015

Leonardo Boff
Citação encontrada em Biblioterapia, o que é?  (Fábulas- Revista on line de Literatura Infantil e Juvenil)

Posted in Leonardo Boff, Revista Fábulas | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

Livro – citação

Posted by Manuela DLRamos em Abril 23, 2015

FALA O LIVRO NA 1ª PESSOA (ou não fosse hoje o seu dia):falaolivromariana

Posted in Bibliobeiriz | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

Bons livros fazem bons amigos…

Posted by Manuela DLRamos em Abril 23, 2014

mario3petitscochons
Ilustração de Mario Ramos

Posted in Mario Ramos | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

As Bibliotecas- Valter Hugo Mãe

Posted by Manuela DLRamos em Maio 16, 2013

Valter  Hugo Mãe in Jornal de Letras, 15 a 28 de Maio)

as_bibliotecas_valter_hugo_mae_JLmaio2013«As bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem. Entramos numa biblioteca como quem está a ponto de partir. E nada é pequeno quando tem uma biblioteca. O mundo inteiro pode ser convocado à força dos seus livros.

Todas as coisas do mundo podem ser chamadas a comparecer à força das palavras, para existirem diante de nós como matéria da imaginação. As bibliotecas são do tamanho do infinito e sabem toda a maravilha.

Os livros são família direta dos aviões, dos tapetes-voadores ou dos pássaros. Os livros são da família das nuvens e, como elas, sabem tornar-se invisíveis enquanto pairam, como se entrassem para dentro do próprio ar, a ver o que existe dentro do ar que não se vê.
O leitor entra com o livro para dentro do ar que não se vê.
Com um pequeno sopro, o leitor muda para o outro lado do mundo ou para outro mundo, do avesso da realidade até ao avesso do tempo. Fora de tudo, fora da biblioteca. As bibliotecas não se importam que os leitores se sintam fora das bibliotecas.

Os livros são toupeiras, são minhocas, eles são troncos caídos, maduros de uma longevidade inteira, os livros escutam e falam ininterruptamente. São estações do ano, dos anos todos, desde o princípio do mundo e já do fim do mundo. Os livros esticam e tapam furos na cabeça. Eles sabem chover e fazer escuro, casam filhos e coram, choram, imaginam que mais tarde voltam ao início, a serem como crianças. Os livros têm crianças ao dependuro e giram como carrosséis para as ouvir rir. Os livros têm olhos para todos os lados e bisbilhotam o cima e baixo, o esquerda e direita de cada coisa ou coisa nenhuma. Nem pestanejam de tanta curiosidade. Querem ver e contar. Os livros é que contam.

As bibliotecas só aparentemente são casas sossegadas. O sossego das bibliotecas é a ingenuidade dos incautos. Porque elas são como festas ou batalhas contínuas e soam trombetas a cada instante e há sempre quem discuta com fervor o futuro, quem exija o futuro e seja destemido, merecedor da nossa confiança e da nossa fé.
Adianta pouco manter os livros de capas fechadas. Eles têm memória absoluta. Vão saber esperar até que alguém os abra. Até que alguém se encoraje, esfaime, amadureça, reclame direito de seguir maior viagem. E vão oferecer tudo, uma e outra vez, generosos e abundantes. Os livros oferecem o que são, o que sabem, uma e outra vez, sem refilarem, sem se aborrecerem de encontrar infinitamente pessoas novas. Os livros gostam de pessoas que nunca pegaram neles, porque têm surpresas para elas e divertem-se a surpreender. Os livros divertem-se.

As pessoas que se tornam leitoras ficam logo mais espertas, até andam três centímetros mais altas, que é efeito de um orgulho saudável de estarem a fazer a coisa certa. Ler livros é uma coisa muito certa. As pessoas percebem isso imediatamente. E os livros não têm vertigens. Eles gostam de pessoas baixas e gostam de pessoas que ficam mais altas.
Depois da leitura de muitos livros pode ficar-se com uma inteligência admirável e a cabeça acende como se tivesse uma lâmpada dentro. É muito engraçado. Às vezes, os leitores são tão obstinados com a leitura que nem acendem a luz. Ficam com o livro perto do nariz a correr as linhas muito lentamente para serem capazes de ler. Os leitores mesmo inteligentes aprendem a ler tudo. Leem claramente o humor dos outros, a ansiedade, conseguem ler as tempestades e o silêncio, mesmo que seja um silêncio muito baixinho.

Os melhores leitores, um dia, até aprendem a escrever. Aprendem a escrever livros. São como pessoas com palavras por fruto, como as árvores que dão maçãs ou laranjas. Dão palavras que fazem sentido e contam coisas às outras pessoas. Já vi gente a sair de dentro dos livros. Gente atarefada até com mudar o mundo. Saem das palavras e vestem-se à pressa com roupas diversas e vão porta fora a explicar descobertas importantes. Muita gente que vive dentro dos livros tem assuntos importantes para tratar. Precisamos de estar sempre atentos. Às vezes, compete-nos dar despacho. Sim, compete-nos pôr mãos ao trabalho. Mas sem medo. O trabalho que temos pela escola dos livros é normalmente um modo de ficarmos felizes.

Este texto é um abraço especial à biblioteca da escola Frei João, de Vila do Conde, e à biblioteca do Centro Escolar de Barqueiros, concelho de Barcelos. As pessoas que ali leem livros saberão porquê. Não deixa também de ser um abraço a todas as demais bibliotecas e bibliotecários, na esperança de que nada nos convença de que a ignorância ou o fim da fantasia e do sonho são o melhor para nós e para os nossos. Ler é esperar por melhor.»

(Via por Amares, os livros)

Posted in valter hugo mãe | Com as etiquetas : , , , | 1 Comment »

“Um Livro” in História com Recadinho de Luísa Dacosta

Posted by Manuela DLRamos em Março 6, 2013

O texto que a seguir se transcreve é o prefácio de um livro de Luísa Dacosta intitulado História com Recadinho (que conta a história de uma bruxinha boa), publicado pela primeira vez em 1986 (ver).   Reeditado em 2010  pela editora ASA, com ilustrações de Cristina Valadas, passou a integrar a coleção “Obras Completas de Luísa Dacosta para a Infância” e também  está à tua disposição no Cata Livros. (Ver mais aqui)

«Desejas
Um tapete mágico que, num abrir e fechar de olhos, te leve aos confins da terra?
Uma máquina de viajar no tempo, para o futuro a haver, desconhecido, para o passado histórico ou para aquele em que os animais falavam?
Companheiros para correrem contigo a aventura de mares ignorados e de ilhas que os mapas não registam?
historiacomrecadinhomeninaaler Conhecer mundos para além do nosso sistema solar, a anos-luz da nossa galáxia, sem necessidade de foguetão?
Saber a idade de uma pedra ou os mistérios da realidade, das águas, dos bichos, dos pássaros e das estrelas?
Descobrir a arca encantada, onde se guardam os vestidos “cor do tempo” das princesas de era uma vez, aquelas que se transformavam em pombas ou dormiam em caixões de cristal, à espera que o príncipe viesse despertá-las?
Desfolhar as pétalas do sonho no país da noite?
Abre um livro.
Um livro é tudo isso de cada vez e, às vezes, ao mesmo tempo.
Um livro permite-nos contactar com outras imaginações, outras sensibilidades. É a possibilidade de estares noutros lugares, sem abandonares o teu chão, de ouvires pulsar outros corações, de vestires a pele humana de outro ou outro sem deixares de ser tu.
E com o livro a varinha de condão não está na mão das fadas, está em teu poder. É do teu olhar, de cada vez que te dispões a ler, que nascem aqueles mundos, caleidoscópicos, de maravilha – e só desaparecem quando fechas o livro.
Mas a um gesto do teu querer, voltarão a surgir sempre, sempre, sempre…

LUÍSA DACOSTA»

Posted in Cata Livros, Cristina Valadas, Iniciação à Educação Literária, Luísa Dacosta | Com as etiquetas : , , , , | Leave a Comment »

Citação – Ler

Posted by Manuela DLRamos em Fevereiro 15, 2013

“Costumo dizer que ler é como namorar: quem acha que não gosta é porque ainda não encontrou o parceiro certo.”

Ana Maria Machado  (fonte)

Posted in Ana Maria Machado | Com as etiquetas : , | Leave a Comment »

Porquê ler Livros? A Palavra a Manuel António Pina

Posted by Manuela DLRamos em Outubro 22, 2012

Fonte: UCUP Projecto Fénix,   A Palavra a … Manuel António Pina

«Ler um livro não é mais importante que ver, por exemplo, um filme, é apenas diferente.  Só que é nessa “diferença” que está tudo, ou quase tudo.

Não só a liberdade de leres o livro como quiseres, de trás para diante ou de diante para trás, de voltares ao princípio ou de o fechares e recomeçares a lê-lo no dia seguinte, mas também a liberdade de te leres a ti mesmo nele, de imaginares tu (por mais pormenorizadamente que o autor os descreva) cada personagem, cada lugar, cada acontecimento. E de, nele, viajares, na companhia das palavras do escritor, por mundos reais e imaginários, dentro e fora de ti, que só a ti pertencem, indo e vindo como e quando quiseres entre esses mundos e o teu mundo de todos os dias.

Porque, num livro, só aparentemente é o escritor quem conduz a história, na realidade tu é que vais ao volante, a história ou poema que lês é mais teu e dos teus sentimentos e tuas emoções que dos do escritor. De tal modo que, se voltares a ler o mesmo livro passado muito tempo, o livro já se transformou, já é outro, só porque tu também já te transformaste e já és também outro.

É por isso que se diz que todos os livros são sempre muitos diferentes livros, tantos quantos as pessoas que os lerem ou tantos quantas as vezes que uma mesma pessoa os ler. E isso é uma coisa maravilhosa, descobrir que nós, com a nossa imaginação e o nosso coração, é que estamos a escrever os livros que lemos.»

via VoxNostra

Posted in Manuel António Pina | Com as etiquetas : | Leave a Comment »

Citação

Posted by bibliobeiriz em Dezembro 6, 2006

É muito citada a frase de Wentworth Roscommon, poeta inglês, nascido no séc. XVII: “Escolhe um autor como escolhes um amigo.”

A propósito da Feira do Livro que hoje se inicia, tomamos a liberdade de fazer uma variação e recomendamos: “Escolhe um livro como escolhes um amigo.” 

Não deixes de passar pela Biblioteca: entre autores, livros e… outros leitores decerto farás alguns bons amigos.

Posted in Bibliobeiriz | Com as etiquetas : , | Leave a Comment »