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Posts Tagged ‘poema cantado’

“A Nau Catrineta” cantada por Fausto

Posted by Manuela DLRamos em Dezembro 5, 2014

Neste videoclip o cantor interpreta a versão recolhida por Almeida Garrett  (1799- 1854) e publicada no seu Romanceiro (1843)

NAU CATRINETA

«Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar!
Ouvide agora, senhores,
Uma história de pasmar.
Passava mais de ano e dia
Que iam na volta do mar,
Já não tinham que comer,
Já não tinham que manjar.
Deitaram sola de molho
Para o outro dia jantar;
Mas a sola era tão rija,
Que a não puderam tragar.
Deitaram sortes à ventura
Qual se havia de matar;
Logo foi cair a sorte
No capitão general.
– “Sobe, sobe, marujinho,
Àquele mastro real,
Vê se vês terras de Espanha,
As praias de Portugal!”
– “Não vejo terras de Espanha,
Nem praias de Portugal;
Vejo sete espadas nuas
Que estão para te matar.”
– “Acima, acima, gageiro,
Acima ao tope real!
Olha se enxergas Espanha,
Areias de Portugal!”
– “Alvíssaras, capitão,
Meu capitão general!
Já vejo terras de Espanha,
Areias de Portugal!”
Mais enxergo três meninas,
Debaixo de um laranjal:
Uma sentada a coser,
Outra na roca a fiar,
A mais formosa de todas
Está no meio a chorar.”
– “Todas três são minhas filhas,
Oh! quem mas dera abraçar!
A mais formosa de todas
Contigo a hei-de casar.”
– “A vossa filha não quero,
Que vos custou a criar.”
– “Dar-te-ei tanto dinheiro
Que o não possas contar.”
– “Não quero o vosso dinheiro
Pois vos custou a ganhar.”
– “Dou-te o meu cavalo branco,
Que nunca houve outro igual.”
– “Guardai o vosso cavalo,
Que vos custou a ensinar.”
– “Dar-te-ei a Catrineta,
Para nela navegar.”
– “Não quero a Nau Catrineta,
Que a não sei governar.”
– “Que queres tu, meu gageiro,
Que alvíssaras te hei-de dar?”
– “Capitão, quero a tua alma,
Para comigo a levar!”
– “Renego de ti, demónio,
Que me estavas a tentar!
A minha alma é só de Deus;
O corpo dou eu ao mar.”
Tomou-o um anjo nos braços,
Não no deixou afogar.
Deu um estouro o demónio,
Acalmaram vento e mar;
E à noite a Nau Catrineta
Estava em terra a varar.  » (ver aqui)

  • Para conheceres outras versões da Nau Catrineta clica aqui

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“Menino do Bairro Negro” – José Afonso

Posted by Manuela DLRamos em Abril 25, 2014

meninodobairronegro

in Baladas de Coimbra, 1963 

Esta terá sido a canção preferida da mãe de Zeca Afonso, de acordo com Arménia Moutinho Rua, autora do site de onde se retirou a imagem com o poema .  E com ela terminamos a lista dos 25 poemas e canções para o 25 de Abril.  É uma escolha deliberada: as revoluções, que se prezam e importam, fazem- se para que todos os meninos dos “bairros negros” possam “tirar os olhos do chão”.
Como explica Zeca Afonso: «
A negritude de que fala o poema existe nos estômagos diagnosticados por Josué de Castro no seu livro “Geopolítica da Fome” » (fonte: Verso dos Versos)

Sobre a identidade do menino e do bairro que inspiraram o poeta leia- se também um elucidativo comentário publicado aqui : «Há pelo menos um livro onde na 1ª pessoa José Afonso esclarece onde se inspirou para esta canção – Livra-te do Medo-Estórias e Andanças de ZECA AFONSO de José A. Salvador, página 79: – MENINO DO BAIRRO NEGRO NASCEU NO PORTO— e o Porto ? : – O Porto foi para mim fundamental. Ia muitas vezes lá porque tinha amigos. Um deles ó Godinho que me deu a conhecer a cidade : a Ribeira , o Barredo. Tudo aquilo me chocou de uma maneira espantosa. A primeira vez que cheguei ao Porto depois de várias boleias era de noite…  Num dos bairros da Ribeira, vejo quatro tipos a urinar para dentro de uma lata . Era uma cena altamente surrealista, mas muito tripeira. Lembro-me de ter visto os meninos que pululavam por aquelas ilhas . Foi uma coisa que eu pensei que só existisse nos filmes . . .  O conhecimento do Porto de todas estas realidades é que me deu o tema do – Menino do Bairro Negro – Expliquei mais tarde que negritude de que falava a canção , não dizia respeito à cor da pele, mas à condição de meninos explorados diagnosticados por José Castro no seu livro Geopolítica da Fome .»

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Como se referiu no início, com esta canção perfaz-se o número de vinte e cinco: “25 poemas e canções para o 25 de Abrill” (série iniciada em abril de 2010, no ano em que se comemoram os “Oitenta anos de Zeca Afonso”, e que na altura ficou incompleta).

Foi uma escolha limitada, tendo ficado de fora algumas canções e poemas importantes sobre o tema. Para colmatar essa falta aconselha-se, por exemplo, o interessante programa  Os Dias Cantados,  em curso na Antena 2, assim como a completíssima página intitulada Poesia útil e literatura de Resistência de José Carreiro (entre outros).

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“Maré Alta” – Sérgio Godinho

Posted by Manuela DLRamos em Abril 25, 2014

Espetáculo que reuniu Sérgio Godinho, José MÁrio Branco e Fausto em 2011

sobreviventesAprende a nadar companheiro
Aprende a nadar companheiro
Que a maré se vai levantar

Que a maré se vai levantar
Que a liberdade está a passar por aqui
Que a liberdade está a passar por aqui
Maré alta
Maré alta
Maré alta

Originalmente in Os Sobreviventes (1971/72)
Letra com cifras no natura.di.uminho.pt

 

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“Queixa das Almas Jovens Censuradas”

Posted by Manuela DLRamos em Abril 24, 2014

José Mario Branco canta poema de Natália Correia

do Álbum Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades > gravado em Paris, em 1971.

queixaNataliaCorreia

Ouvir Natália Correia a dizer o poema

 

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Pedra Filosofal- António Gedeão / Manuel Freire

Posted by Manuela DLRamos em Abril 14, 2014


A canção de hoje do programa da Antena 1 Dias Cantados

Manuel Freire «Em 1969 aparece no programa Zip-Zip onde lança Pedra Filosofal, com poema de António Gedeão, que popularizou e cuja interpretação lhe valeu o Prémio da Imprensa desse ano, em conjunto com Fernando Tordo.» Fonte
———
Pedra Filosofal
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso,
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos,
que em oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho alacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que foça através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara graga, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa dos ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, paço de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão de átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que o homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

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“Que força é essa”

Posted by bibliobeiriz em Abril 19, 2010

25 poemas e canções para o 25 de Abril

Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr’ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro

Que força é essa [bis]
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo [bis]
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo [bis 3]

Não me digas que não me compr’endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr’endes

(Que força…)

(Vi-te a trabalhar…)

Que força é essa [bis]
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo [bis]
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo [bis 10]

Sérgio Godinho in Os Sobreviventes (1971)

Fonte da letra

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