BiblioBeiriz

Serviços de Biblioteca – Agrupamento de Escolas Campo Aberto – Escola E.B. 2/3 de Beiriz

Archive for the ‘valter hugo mãe’ Category

As Bibliotecas- Valter Hugo Mãe

Posted by Manuela DLRamos em Maio 16, 2013

Valter  Hugo Mãe in Jornal de Letras, 15 a 28 de Maio)

as_bibliotecas_valter_hugo_mae_JLmaio2013«As bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem. Entramos numa biblioteca como quem está a ponto de partir. E nada é pequeno quando tem uma biblioteca. O mundo inteiro pode ser convocado à força dos seus livros.

Todas as coisas do mundo podem ser chamadas a comparecer à força das palavras, para existirem diante de nós como matéria da imaginação. As bibliotecas são do tamanho do infinito e sabem toda a maravilha.

Os livros são família direta dos aviões, dos tapetes-voadores ou dos pássaros. Os livros são da família das nuvens e, como elas, sabem tornar-se invisíveis enquanto pairam, como se entrassem para dentro do próprio ar, a ver o que existe dentro do ar que não se vê.
O leitor entra com o livro para dentro do ar que não se vê.
Com um pequeno sopro, o leitor muda para o outro lado do mundo ou para outro mundo, do avesso da realidade até ao avesso do tempo. Fora de tudo, fora da biblioteca. As bibliotecas não se importam que os leitores se sintam fora das bibliotecas.

Os livros são toupeiras, são minhocas, eles são troncos caídos, maduros de uma longevidade inteira, os livros escutam e falam ininterruptamente. São estações do ano, dos anos todos, desde o princípio do mundo e já do fim do mundo. Os livros esticam e tapam furos na cabeça. Eles sabem chover e fazer escuro, casam filhos e coram, choram, imaginam que mais tarde voltam ao início, a serem como crianças. Os livros têm crianças ao dependuro e giram como carrosséis para as ouvir rir. Os livros têm olhos para todos os lados e bisbilhotam o cima e baixo, o esquerda e direita de cada coisa ou coisa nenhuma. Nem pestanejam de tanta curiosidade. Querem ver e contar. Os livros é que contam.

As bibliotecas só aparentemente são casas sossegadas. O sossego das bibliotecas é a ingenuidade dos incautos. Porque elas são como festas ou batalhas contínuas e soam trombetas a cada instante e há sempre quem discuta com fervor o futuro, quem exija o futuro e seja destemido, merecedor da nossa confiança e da nossa fé.
Adianta pouco manter os livros de capas fechadas. Eles têm memória absoluta. Vão saber esperar até que alguém os abra. Até que alguém se encoraje, esfaime, amadureça, reclame direito de seguir maior viagem. E vão oferecer tudo, uma e outra vez, generosos e abundantes. Os livros oferecem o que são, o que sabem, uma e outra vez, sem refilarem, sem se aborrecerem de encontrar infinitamente pessoas novas. Os livros gostam de pessoas que nunca pegaram neles, porque têm surpresas para elas e divertem-se a surpreender. Os livros divertem-se.

As pessoas que se tornam leitoras ficam logo mais espertas, até andam três centímetros mais altas, que é efeito de um orgulho saudável de estarem a fazer a coisa certa. Ler livros é uma coisa muito certa. As pessoas percebem isso imediatamente. E os livros não têm vertigens. Eles gostam de pessoas baixas e gostam de pessoas que ficam mais altas.
Depois da leitura de muitos livros pode ficar-se com uma inteligência admirável e a cabeça acende como se tivesse uma lâmpada dentro. É muito engraçado. Às vezes, os leitores são tão obstinados com a leitura que nem acendem a luz. Ficam com o livro perto do nariz a correr as linhas muito lentamente para serem capazes de ler. Os leitores mesmo inteligentes aprendem a ler tudo. Leem claramente o humor dos outros, a ansiedade, conseguem ler as tempestades e o silêncio, mesmo que seja um silêncio muito baixinho.

Os melhores leitores, um dia, até aprendem a escrever. Aprendem a escrever livros. São como pessoas com palavras por fruto, como as árvores que dão maçãs ou laranjas. Dão palavras que fazem sentido e contam coisas às outras pessoas. Já vi gente a sair de dentro dos livros. Gente atarefada até com mudar o mundo. Saem das palavras e vestem-se à pressa com roupas diversas e vão porta fora a explicar descobertas importantes. Muita gente que vive dentro dos livros tem assuntos importantes para tratar. Precisamos de estar sempre atentos. Às vezes, compete-nos dar despacho. Sim, compete-nos pôr mãos ao trabalho. Mas sem medo. O trabalho que temos pela escola dos livros é normalmente um modo de ficarmos felizes.

Este texto é um abraço especial à biblioteca da escola Frei João, de Vila do Conde, e à biblioteca do Centro Escolar de Barqueiros, concelho de Barcelos. As pessoas que ali leem livros saberão porquê. Não deixa também de ser um abraço a todas as demais bibliotecas e bibliotecários, na esperança de que nada nos convença de que a ignorância ou o fim da fantasia e do sonho são o melhor para nós e para os nossos. Ler é esperar por melhor.»

(Via por Amares, os livros)

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Olimpíadas da Escrita no Diana-Bar

Posted by bibliobeiriz em Fevereiro 20, 2011

Já aqui tínhamos noticiado a realização, no Diana-Bar,  da 3ª fase das Olímpíadas da Escrita, actividade inserida no projecto Escola da Minha Vida, promovido pela Câmara Municipal da Póvoa de Varzim.

O filme que agora se publica mostra alguns dos momentos passados durante esse encontro de jovens aprendizes de escritor, cerca de 100 alunos dos 2º e 3ºs ciclos e Secundário das escolas do concelho da Póvoa de Varzim.

Parabéns a quem teve a ideia de se modificarem os moldes em que este concurso tinha vindo a ser realizado e se lembrou, para além disso, deste local fantástico.

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Correntes d’Escritas- Escritores na Escola

Posted by bibliobeiriz em Fevereiro 26, 2010


«A nossa escola recebeu com muito agrado os escritores Gilda Nunes Barata e valter hugo mãe, e o encontro foi, como alguém, referiu “de palavras sentidas”.

A voz das palavras (tema em destaque desta edição) foi, então, sentida com dois textos: A História do Homem Calado, de valter hugo mãe (2009) e “A Ondinha que deixou o mar”, do livro Zangaram-se as Cores do Arco-Íris, de Gilda Barata (2008) que foram lidos e “trabalhados” em directo, no auditório.

Ousaríamos dizer que o lema deste encontro foi “Com uma pequena ajuda dos meus amigos” (With a little help from my friends)” no que se reporta ao desvendar de vozes e palavras! (…)»

  • Continuar a ler aqui o relato que a professora Gisela Silva fez desta sessão das correntes d’escritas na escola.

Com este post iniciamos também uma nova categoria: Retratos ;-)

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poema

Posted by bibliobeiriz em Fevereiro 23, 2010

procuro  palavras
que me entendam

valter hugo mãe
in três minutos antes de a maré encher (2000)

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colecção abrir os olhos – histórias de valter hugo mãe

Posted by bibliobeiriz em Fevereiro 20, 2010

 «(…) são livros com letras maiúsculas, para não desensinar às crianças nada do que é o mundo mais louco dos adultos. estas são as capas que abrem para as histórias e que me parecem – eu sei que sou suspeito – muito muito bonitas. se tiverem paciência, procurem-nos por aí.(…) » escreveu o autor aqui. Nós procurámos, encontrámo-los e temo-nos deliciado.
Passem pela biblioteca para os lerem.

 «Numa pequena rua todos achavam que o vizinho que não tinha braços e que só tinha um olho era um hommem calado e antipático. Foi uma surpresa, quando , um dia, alguém chocou com ele sem querer e descobriu um sorriso de orelha a orelha. Afinal ele só se calava porque os vizinhos não lhe dirigiam a palavra e sentia mesmo  um desejo grande de ter amigos.» da contracapa
.

 

……

 ..

«Num tempo perdido na memória, quando o céu era ainda um lugar quieto e desabitado, o vento sentia-se muito sozinho enquanto corria pelos ares. Precisava mesmo de amigos que lhe fizessem companhia. Então teve uma ideia: e se ensinasse a voar algumas das criaturas que viviam no chão e as trouxesse para perto de si? » da contracapa.


valter hugo mãe virá à nossa escola no próximo dia 25 , quinta-feira, no âmbito das Correntesd’Escritas.

…………………

A ler: «A verdadeira história dos pássaros»: natureza mito e literatura por Carlos Nogueira > no site do IELT (Instituto de Estudos de Literatura Tradicional )

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na 1ª pessoa

Posted by bibliobeiriz em Fevereiro 1, 2010

valter hugo mãe: «Sempre gostei da limpeza das minúsculas. Arrancando as maiúsculas do início das frases, as pessoas aceleram a leitura, ficam um pouco sem travões e chega-se mais depressa ao fim. Isso está em concordância com a nossa atitude. Não falamos com maiúsculas, aspas ou travessões»  (in valter hugo mãe. O escritor que nos põe a ler sem travões  por Vanda Marques no  ionline a propósito do último livro do autor)

valter hugo mãe virá à escola no próximo dia 25 de Fevereiro no âmbito das Correntes d’Escritas

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Preparando as Correntes d’Escritas na Escola

Posted by bibliobeiriz em Janeiro 30, 2010

Informações úteis

  • Correntes D’Escritas 2010 no portal da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim
  • «Leitura, Escrita e Educação» será o tema da Conferência de Abertura proferida por Isabel Alçada, Ministra da Educação, dia 24 de Fevereiro, às 15h30, no Auditório Municipal. (ler desenvolvimento portal da CMPV, no Diário Digital, no JN)
  • ……………..

  • Correntes d’Escritas nas Escolas: sessão na Escola Eb23 de Beiriz  com os  escritores Gilda Nunes Barata e valter hugo mãe -Tema: A voz das palavras – dia 25 de Fevereiro, 5ª feira pelas 10h30 (fonte: programa  pdf)

Correntes D’Escritas de outros anos

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